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Estudo alerta para uso indevido de benzodiazepínicos entre jovens

Benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais prescritos no Brasil
Benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais prescritos no Brasil - iStock

Redação Publicado em 11/01/2021, às 20h27

Adultos jovens, na faixa dos 18 aos 25 anos de idade, são a população mais propensa a fazer uso indevido de benzodiazepínicos. O alerta é de pesquisadores norte-americanos, em um artigo publicado esta semana no Jama que chama a atenção para a necessidade de se prescrever esses medicamentos com maior cuidado.  

A classe de medicamentos, que envolve drogas como alprazolam, lorazepam, clonazepam e diazepam, têm alto potencial de abuso, podendo causar dependência quando usadas de forma indevida ou por tempo prolongado. Além disso, podem causar sintomas graves de abstinência quando o tratamento é interrompido.

Vendidos no Brasil com tarja preta, esses remédios são indicados para situações agudas de ansiedade generalizada, pânico, fobia social ou insônia. Estudos indicam que os benzodiazepínicos são uma das classes de medicamentos mais prescritas por aqui, sendo que um em cada dez brasileiros já fez uso dessas pílulas alguma vez na vida. 

Mistura perigosa

Recentemente, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de remédios e alimentos dos EUA, atualizou as bulas para chamar atenção de médicos e usuários para o perigo do uso concomitante de benzodiazepínicos e opioides, medicamentos para controle da dor. A mistura aumenta o risco de mortes por overdose.

Entre mulheres com idades entre 30 e 64 anos, a taxa de mortes relacionadas aos benzodiazepínicos nos EUA aumentou de 0,5 por 100.000 habitantes, em 1999, para quase 5 por 100.000 habitantes em 2017. Os pesquisadores acreditam que parte desse aumento pode ter relação com o uso combinado desses medicamentos com opioides.

É preciso alertar os pacientes

A FDA também está modificando as informações detalhadas de prescrição, para que médicos alertem seus pacientes sobre os riscos de abuso e dependência. A agência também aconselha os profissionais a indicar a menor dose possível, encurtar o tratamento ao máximo e reduzir a quantidade prescrita gradualmente para minimizar os efeitos de abstinência.

No artigo da Jama, pesquisadores citam que, entre 2015 e 2016, estima-se que mais de 30 milhões de norte-americanos tenham utilizado benzodiazepínicos, sendo que 17% relatam uso indevido – sem receita, em quantidade maior que a prescrita ou de forma mais frequente que o recomendado pelo médico. Entre os entrevistados, 51% dos que tinham de 18 a 25 anos de idade relataram uso indevido, em comparação com 4% dos indivíduos com 65 anos ou mais.

Segundo a FDA, para 2019 a estimativa foi de 92 milhões de prescrições. E, em 2018, quase metade dos pacientes que receberam a receita do médico tomaram o medicamento por dois meses ou mais.

O artigo destaca que os riscos do uso indevido de benzodiazepínicos entre adolescentes também é preocupante naquele país. De acordo com uma pesquisa de 2018 que incluiu aproximadamente 29.600 alunos do ensino médio, cerca de 3,9% dos alunos do 10º e 12º ano  relataram o uso não médico de benzodiazepínicos. São jovens que correm risco de desenvolver transtornos por uso de substâncias que podem persistir por toda a vida.

Uso racional

Por outro lado, os autores alertam que interromper indevidamente a terapia com benzodiazepínicos pode gerar efeitos adversos e de abstinência que também são perigosos. Por isso, é preciso que a redução seja gradual e individualizada.

Outra questão levantada é que pacientes com ansiedade ou insônia após a interrupção do tratamento podem acabar abusando de álcool, maconha ou outras drogas ilícitas para tentar aliviar os sintomas, o que envolve um risco ainda maior.

Por fim, os pesquisadores admitem que o uso racional é desafiador, mas que é preciso pesar muito bem os riscos e os benefícios dessa classe de medicamentos. Também é importante investir, sempre que possível, em estratégias alternativas às drogas, como a terapia cognitivo-comportamental.

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