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Mais maconha e menos drogas “de balada” marcaram a pandemia

Jairo Bouer

15 de setembro


Dois em cada cinco usuários de maconha afirmam ter aumentado o consumo desde o início da pandemia. Esse foi um dos principais resultados de um recorte especial sobre drogas ilícitas do Global Drug Survey, a pesquisa mais importante sobre o tema do mundo.

O isolamento social e todas as incertezas ligadas à Covid-19 fizeram muita gente buscar alívio em substâncias psicoativas. Entre as drogas ilícitas, a maconha foi a que teve o consumo mais aumentado, seguida dos benzodiazepínicos (calmantes). O estudo contou com 55 mil pessoas entrevistadas entre maio e junho em 11 países – a maioria deles são desenvolvidos, mas o Brasil também faz parte da amostra.

Maconha

A Austrália foi o país com maior crescimento no uso (49%), seguido pelos EUA (46%) e a Grã-Bretanha (44%). A maioria dos entrevistados atribuiu o consumo maior ao tédio ou ao tempo livre com a quarentena. Transtornos mentais tiveram um papel importante também, já que 41% dos usuários citaram o estresse e 38%, sintomas depressivos. E, como era de se esperar, países mais afetados pela pandemia, como os EUA, foram aqueles em que as pessoas mais relataram ter usado maconha por causa da depressão.

Já no Brasil, 44% dos entrevistados disseram ter diminuído o uso de maconha após a chegada da Covid-19; 28% aumentaram e outros 28% mantiveram o mesmo nível de consumo. Porém: 46% dos brasileiros aumentaram o uso de benzodiazepínicos; e 36% passaram a usar mais opioides.

Menos baladas 

A ausência ou diminuição da vida noturna, bem como a dificuldade para acessar traficantes durante a pandemia resultaram na redução do uso de drogas “de balada” em todo o mundo, como ecstasy (-41%), cocaína (-38%) e ketamina (-41%). Segundo a reportagem publicada na revista The Economist, um terço dos usuários de cocaína e um quarto dos adeptos do ecstasy relataram uma melhora na saúde mental por causa da redução do consumo.

Cerca de dois quintos dos usuários de ecstasy ou de cocaína ainda afirmaram que não tiveram vontade de se drogar durante a pandemia. Mas é difícil que a tendência se mantenha, já que, em muitos países, festivais e casas noturnas já voltaram à ativa.

 

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