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Uso de maconha entre indivíduos com depressão tem crescido, diz pesquisa

Jairo Bouer

24 de agosto


Um estudo norte-americano sugere que informações propagadas pela mídia têm feito mais gente consumir maconha para tentar obter alívio para sintomas de depressão. A conclusão preocupa, já que evidências mostram que o consumo frequente da droga pode, na verdade, agravar o transtorno.

Segundo trabalho publicado no Jama, o periódico da Associação Médica Americana, o número de adultos que usa Cannabis com frequência naquele país aumentou 98% de 2002 a 2017. E a prevalência de uso diário ou quase diário, no período, subiu 40%.

Os dados foram analisados com base em uma amostra de 16.216 homens e mulheres de 20 a 50 anos de idade. Vale lembrar que, ao longo desse período, o uso medicinal da maconha foi aprovado em diversas partes dos EUA, e o uso recreativo foi permitido em alguns Estados, num esforço para combater o tráfico.

Os pesquisadores, da Universidade de Columbia e do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova York, afirmam que os riscos de desenvolver depressão se mantiveram relativamente estáveis entre 2002 e 2017. No entanto, a prevalência de consumo da droga aumentou expressivamente entre indivíduos com sintomas do transtorno.

Em 2006, indivíduos deprimidos eram 46% mais propensos a utilizar maconha com frequência, e 30% mais propensos a usar todo dia, em relação a quem não tinha sintomas do transtorno. Já em 2016, essa probabilidade foi 130% mais alta para o uso frequente, e 216% para o uso diário. A diferença reforça a ideia de que mais gente tem buscado a droga como forma de se automedicar.

Uma pesquisa nacional recente revela que 50% dos norte-americanos acreditam que a Cannabis faz bem para quem tem ansiedade ou depressão. Apenas 15% suspeitam que o consumo frequente da maconha pode agravar sintomas desses transtornos, algo que já foi observado em diversos estudos.

A maconha causa uma sensação imediata de bem-estar porque estimula o chamado sistema endocanabinoide, que tem um papel importante na resposta ao estresse e a recompensas. O problema é que, ao longo do tempo, seu uso frequente pode levar a mudanças nos neurônios que têm impacto nessas reações. Em indivíduos vulneráveis, isso pode aumentar o risco de problemas como a dependência. É por isso que a droga não deve ser considerada um “remédio natural” contra a depressão.

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