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Jovem com memórias felizes aprende mais e usa menos álcool e drogas

Pais e professores devem investir no relacionamento com os jovens
Pais e professores devem investir no relacionamento com os jovens - iStock

Redação Publicado em 25/01/2021, às 16h25

Adolescentes que têm memórias felizes tendem a beber menos, usar menos drogas e a gostar de aprender, de acordo com uma pesquisa publicada na revista Addiction Research & Theory

As descobertas, baseadas em dados de quase 2.000 estudantes do ensino médio nos EUA, mostram uma ligação entre a forma como os alunos se sentem em relação ao passado, o presente e o futuro e seu comportamento em sala de aula. Isso, segundo o estudo, tem influência sobre as notas e sobre o risco de uso indevido de substâncias.

Os autores do estudo alertam que a Covid-19 e o ensino online deixaram muitos adolescentes com maior dificuldade para acompanhar os estudos, e também mais propensos a transtornos emocionais e consumo de bebida e drogas.

Importância do relacionamento

Os pesquisadores acreditam que pais e professores podem ajudar os alunos a terem uma mentalidade mais positiva e se tornarem mais motivados a aprender, e isso os tornaria menos propensos a beber demais ou usar maconha.

"A escola muitas vezes parece uma fonte de estresse e ansiedade para os alunos", diz o principal autor, John Froiland, da Universidade Purdue. “Isso os coloca em maior risco de não participar das aulas, tirar notas mais baixas e usar drogas.”

Para ele, isso pode mudar se os professores dedicarem mais tempo para construir bons relacionamentos com eles. “Eles podem ajudar os alunos a ver que tudo o que estão aprendendo é valioso”, acrescenta. E claro que os pais também têm um papel a desempenhar também.

Outros estudos já indicaram que adolescentes com uma atitude equilibrada em relação à infância são mais propensos a se abster de bebidas e drogas e ter sucesso acadêmico, em comparação com quem possui uma visão mais pessimista.

Como a pesquisa foi feita

Os autores do estudo atual analisaram as respostas dos alunos e alunas, e avaliaram o quão nostálgicos eram em relação à própria infância, os níveis de felicidade atuais na vida e o quanto eles anseiam pela felicidade futura.

Eles também analisaram os hábitos de consumo de maconha e álcool nos últimos 30 dias, incluindo consumo excessivo, as notas médias dos alunos e o comportamento nas aulas.

Com métodos estatísticos, os pesquisadores avaliaram as associações entre todos esses diferentes fatores para estabelecer os principais preditores do uso indevido de álcool e maconha.

O estudo descobriu que atitudes positivas em relação ao passado, presente e futuro colocam os adolescentes em menor risco de uso de álcool, consumo excessivo de álcool e maconha. E o oposto foi verdadeiro para os jovens que tinham uma visão mais negativa sobre a infância, os tempos atuais e os que vêm pela frente.

A hipótese dos pesquisadores é que ter uma visão otimista aumenta a motivação em aprender e incentiva o foco no conteúdo ensinado nas aulas.

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