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Depressão é mais comum em gestantes que não se exercitam

Quase das mulheres grávidas no estudo afirmou estar se exercitando menos por causa da pandemia
Quase das mulheres grávidas no estudo afirmou estar se exercitando menos por causa da pandemia - iStock

Redação Publicado em 21/12/2020, às 16h59

As medidas de isolamento social por causa da Covid-19 atrapalharam a rotina de quem pratica esportes ou outras atividades físicas em grupo. Isso deixou essas pessoas mais vulneráveis ao estresse e a transtornos de humor, inclusive gestantes.

Um estudo mostra que mulheres grávidas que ficaram sem se exercitar por causa da pandemia apresentaram mais sintomas de depressão pré-natal que aquelas que conseguiram manter a prática.

Risco de depressão

As gestantes são uma população que tem risco aumentado para o transtorno depressivo devido a todas as mudanças fisiológicas enfrentadas por elas desde a fecundação. As preocupações com a nova fase que se aproxima também agravam essa vulnerabilidade, e a pandemia trouxe ainda mais ansiedade. Já a atividade física tem efeito protetor

Pesquisadores da Universidade de Dartmouth, nos EUA, analisaram questionários respondidos por 1.850 grávidas entre abril e junho deste ano, para avaliar como a Covid-19 havia impactado os cuidados com a saúde no pré-natal e no pós-parto. No início do estudo, 92% das participantes seguia ordens locais para ficar em casa.

Além de perguntas sobre a prática de atividade física e outras medidas de saúde, as gestantes passaram por avaliações para identificar sintomas de depressão pré-natal e pós-parto. Também foram levados em conta fatores de risco para o transtorno, como problemas financeiros e nível de educação.

As participantes do estudo tinham, em média, 31 anos e 26 semanas de gravidez. A maioria das mulheres era fisicamente ativa: 56% relataram praticar exercícios moderados pelo menos três vezes por semana. A pontuação média para sintomas depressivos foi de 10,6, sendo que a ferramenta de avaliação utilizada pelos pesquisadores variava de 0 a 30. Um resultado de 15 ou mais indica depressão clinicamente significativa.

Falta de espaço ou de dinheiro

Ao todo, 47% das mulheres grávidas no estudo indicaram estar se exercitando menos durante a pandemia, enquanto 9% estavam se exercitando mais. Aquelas que tiveram a rotina de atividade física alteradas apresentaram pontuação maior na escala de depressão.

As gestantes que vivem em áreas metropolitanas foram duas vezes mais propensas a ter a prática impedida por causa das medidas de isolamento social, como o fechamento de academias e pouco espaço para malhar em casa ou no seu entorno.

Mais de 57% estavam preocupadas com suas finanças por causa dos prejuízos econômicos ligados à pandemia. Mas as gestantes mais velhas e mais ricas apresentaram escores mais baixos de depressão, o que mostra como a falta de dinheiro pode ser um mediador no transtorno.

Os resultados, publicados no periódico PLOS ONE, confirmam que o exercício moderado diminui o risco de depressão em grávidas. Isso significa que interrupções na rotina de atividade física pode afetar expressivamente a saúde mental das mulheres, ainda mais aquelas que já sofrem algum tipo de adversidade, como a preocupação com o sustento do filho que vai nascer.

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