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Depressão grave na gravidez pode ter origem no sistema imune

Jairo Bouer

21 de novembro


Uma inflamação descontrolada, ou melhor, uma reação exagerada do sistema imunológico pode explicar por que algumas mulheres têm quadros de depressão severa durante a gravidez e após o parto. A afirmação é de pesquisadores das universidades de Maryland e do Michigan, além do Instituto Van Andel e do centro de atendimento Pine Rest Christian Mental Health Services, nos EUA.

O trabalho da equipe, publicado no periódico científico Brain, Behavior and Immunity, concentrou-se nos casos de depressão grave, e não no famoso “baby blues”, aquela melancolia passageira que boa parte das mulheres têm após o parto.

Uma em cada cinco gestantes sofrem com o transtorno antes e após o nascimento da criança. Também estima-se que 14% das gestantes tenham ideias de suicídio. Quando não coloca em risco a vida da mãe e do filho, a depressão pode ter consequências sérias para toda a família e ainda afetar o desenvolvimento do bebê.

Reação inflamatória

A equipe analisou amostras de sangue de 165 gestantes e descobriu alguns fatores inflamatórios que parecem contribuir para o surgimento e a gravidade da depressão.

Toda gravidez gera uma espécie de inflamação, e isso é fundamental no início, pois impede que o sistema imunológico da mãe ataque o feto, que é um corpo estranho. Mas, aparentemente, algumas mulheres têm uma reação inflamatória mais intensa ou prolongada que o ideal.

A análise mostrou que duas substâncias envolvidas na inflamação – a interleucina 6 (IL-6) e a interleucina 8 (IL-8), apresentaram aumento. Ao mesmo tempo, a interleucina 2 (IL-2), outra substância fundamental para a imunidade, teve redução. Os pesquisadores também perceberam que, junto com essas alterações, houve uma diminuição drástica nos níveis de serotonina, um neurotransmissor ligado ao humor e o bem-estar.

Para os autores, essa reação em cascata associada à inflamação interfere no processo de formação de serotonina, que ocorre a partir do aminoácido triptofano. Quanto mais reduzido o nível de serotonina, maior a gravidade da depressão. Por isso, uma reação descontrolada deixaria algumas gestantes mais vulneráveis ao transtorno. A esperança é que essas descobertas um dia possam levar a um tratamento mais específico e eficaz nessa fase em que o uso de remédios deve ser feito com extrema cautela.

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