Depressão e ansiedade aumentam risco de infarto e derrame

Estudo mostra que o risco é ainda maior para quem possui os dois transtornos

Redação Publicado em 27/01/2026, às 10h00

O equilíbrio emocional tem relação direta com a saúde cardiovascular - iStock

Há muito se observa que pessoas com depressão ou ansiedade têm maior probabilidade de sofrer ataques cardíacos ou derrames do que aquelas que não apresentam essas condições de saúde mental.

A afirmação acima é do autor principal de um estudo recente publicado no periódico Jama, Shady Abohashem, médico do Massachusetts General Hospital, nos EUA.

No entanto, o impacto real dessa ligação era alvo de debates científicos devido a possíveis fatores externos que poderiam confundir os resultados.

Pesquisa com 86 mil participantes

Para investigar a explicação fisiológica por trás dessa relação, Abohashem e sua equipe analisaram dados de quase 86 mil indivíduos. O grupo foi dividido entre pessoas com diagnóstico de depressão e ansiedade; aquelas com apenas uma das condições; e voluntários sem nenhum transtorno mental.

Após três anos de acompanhamento, o estudo confirmou que quem sofre de depressão ou ansiedade tem chances significativamente maiores de enfrentar um evento cardiovascular grave, como insuficiência cardíaca ou AVC (acidente vascular cerebral, também chamado de derrame).

O perigo da combinação de transtornos

O risco mostrou-se ainda mais acentuado em pacientes diagnosticados simultaneamente com depressão e ansiedade. Nesse caso, o risco relativo de um evento cardíaco importante foi cerca de 32% superior em comparação com quem tinha apenas uma das condições.

O dado chama a atenção por permanecer relevante mesmo após o ajuste de outros fatores, como estilo de vida, condições socioeconômicas e o uso de antidepressivos.

Como o estresse afeta o corpo

Ao analisar exames de imagem, os cientistas descobriram que a depressão aumenta a atividade entre a amígdala e o córtex cerebral, um sinal claro de estresse biológico. Isso gera uma reação em cadeia: há uma redução na variabilidade da frequência cardíaca e um aumento da inflamação sistêmica no sangue, conforme explica o autor do trabalho.

Essas mudanças parecem formar uma cadeia biológica que liga o estresse emocional ao risco cardiovascular. Quando os circuitos de estresse do cérebro estão hiperativos, eles podem ativar cronicamente o sistema de 'luta ou fuga' do corpo, levando ao aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da inflamação crônica. Com o tempo, essas alterações podem danificar os vasos sanguíneos e acelerar doenças cardíacas.”

Alerta para mulheres e jovens

Outro desdobramento da pesquisa sugere que a depressão e a ansiedade aceleram o surgimento de fatores de risco tradicionais, como hipertensão, colesterol alto e diabetes tipo 2. E esse efeito é particularmente visível em mulheres jovens.

Além disso, mesmo quem não tem um diagnóstico formal de transtorno mental, mas vive sob estresse crônico, pode sofrer danos no coração devido à inflamação constante.

O desafio nos consultórios

Apesar das evidências, muitos cardiologistas ainda não questionam os pacientes sobre saúde mental. “Os cardiologistas seguem as diretrizes. As diretrizes, infelizmente, falham em abordar a saúde mental no momento”, afirma Abohashem.

Além disso, existe o receio por parte dos pacientes em relatar diagnósticos psicológicos durante uma consulta de rotina do coração.

Prioridade para a saúde cardiovascular

Embora especialistas apontem que riscos como tabagismo e diabetes ainda sejam estatisticamente mais perigosos, o estresse crônico pode aumentar as chances de problemas cardíacos em 50%, segundo os pesquisadores. 

A recomendação deles é que os pacientes encarem o controle do estresse, o sono de qualidade e os exercícios físicos como prioridades para a saúde do coração. Como lembra a Associação Americana de Cardiologia, médicos não tratam o que não medem, mas a saúde mental precisa entrar no radar dos exames preventivos.

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