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Intolerância ao glúten: o que pode causar na pele

Parte dos pacientes com doença celíaca apresenta dermatite herpetiforme - iStock
Parte dos pacientes com doença celíaca apresenta dermatite herpetiforme - iStock

Lilian Akemi Ota Publicado em 03/10/2021, às 10h00

Atualmente, as alergias alimentares têm se tornado cada vez mais frequentes em nosso meio  e, dentre elas, podemos destacar a alergia/intolerância ao glúten.

O glúten é uma proteína presente em vários grãos, mas principalmente no trigo, cevada e centeio. Largamente utilizado na indústria alimentícia, é ele quem dá a maleabilidade e a liga às massas e pães, conferindo viscoelasticidade e maciez ao produto.

Pessoas com predisposição genética podem apresentar maior sensibilidade a duas principais porções proteicas do glúten denominadas gliadina e glutenina, que provocam inflamação na mucosa do intestino delgado.

Esse processo inflamatório pode levar a um quadro de diarreia, náuseas e vômitos, perda de peso, dores abdominais, inchaço abdominal e flatulência, constituindo, assim, o quadro de doença celíaca.

A doença celíaca afeta pessoas de ambos os sexos. Pode aparecer em qualquer fase da vida e afetar desde crianças até idosos.

Confira:

Dermatite herpetiforme

Na pele, a intolerância ao glúten provoca uma doença denominada dermatite herpetiforme. Cerca de 15 a 25% dos pacientes com doença celíaca apresentam, também, dermatite herpetiforme.

Sua causa não é totalmente conhecida, mas o que se observa é que as proteínas nocivas do glúten, citadas acima, provocam uma reação no sistema imunológico da pessoa que age contra suas próprias células da pele, daí no nome de doença autoimune.

Em geral, a dermatite herpetiforme começa com pequenas bolhas de conteúdo claro e vermelhidão ao redor da lesão. Quando as bolhas se rompem, surge a coceira, descamação, crostas e feridas, principalmente nas regiões dos cotovelos, joelhos e áreas extensoras dos braços e pernas. Pode também afetar glúteos e região lombar, deixando cicatrizes claras ou escuras. Se não tratadas, as lesões podem perdurar por meses.

Pelo fato de as lesões coçarem muito, é bastante comum o sangramento das áreas afetadas e, consequente, infecção secundária causada por bactérias, aumentando ainda mais o prurido e as feridas na pele.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito através do exame do médico dermatologista e, secundariamente, por meio de biópsia e exame histopalológico da lesão, além de exames sanguíneos com dosagem de imunoglobulinas.

Para tratar a doença é fundamental realizar uma dieta livre de glúten, afastando o agente causador da doença. Assim, deve-se evitar tudo que é feito com farinha de trigo, centeio e cevada.

Os medicamentos mais utilizados são os derivados da sulfa (dapsona, sulfaperidina ou sulfassalazina), porém, requerem acompanhamento médico rigoroso, pois, em muitos pacientes, o tratamento pode  levar à anemia.

Medicamento e dieta adequada podem levar à remissão da doença, entretanto não existe uma cura para o problema – a recaída pode acontecer após meses ou anos. Dessa forma, o acompanhamento médico periódico e dieta livre de glúten devem ser realizados de rotina.