Expressão criativa pode ter um efeito profundo em nossa biologia, segundo pesquisadores
Redação Publicado em 19/05/2026, às 10h00
Se você busca conselhos para viver uma vida longa, provavelmente já ouviu várias vezes que deve comer bem e se exercitar.
Mas aqui vai uma nova ideia: desperte sua expressão criativa e participe mais de atividades artísticas. Um estudo recente descobriu que isso pode ajudar a aumentar a longevidade, retardando o seu ritmo de envelhecimento.
Se você é pintor ou pianista, talvez já tenha notado como fazer arte pode diminuir seu nível de estresse. Mais do que isso, a expressão criativa pode ter um efeito profundo em nossa biologia, segundo pesquisadores da Universidade College London, no Reino Unido.
Eles analisaram dados de questionários e amostras de sangue de cerca de 3.500 adultos que faziam parte de um estudo de longo prazo naquele país, incluindo alguns que eram muito envolvidos com as artes, bem como outros que tinham pouquíssimo engajamento artístico.
Depois, eles usaram relógios epigenéticos, um conceito que explicaremos mais abaixo, para avaliar o ritmo de envelhecimento dos participantes.
"Descobrimos neste estudo que o 'engajamento artístico' estava relacionado a taxas de envelhecimento 4% mais lentas, o que significa que as pessoas eram cerca de um ano mais jovens, biologicamente, se estivessem regularmente envolvidas com as artes", explica a pesquisadora Daisy Fancourt. "Estes são, na verdade, os mesmos níveis de redução no envelhecimento biológico que vimos para a atividade física", diz ela.
Os participantes responderam a uma série de perguntas, desde seus hábitos de exercício até questões sobre mais de 40 atividades artísticas diferentes.
O ritmo de envelhecimento mais lento se manteve tanto para os "fazedores" de arte — pessoas que dançam, cantam ou fazem arte — quanto para aqueles que consomem arte indo a concertos, ao teatro ou a museus. As descobertas foram publicadas na revista científica Innovation in Aging.
"Sinceramente, isso me surpreende muito", diz o geneticista e bioestatístico Steven Horvath ao site NPR. Foi ele quem desenvolveu o relógio de envelhecimento de Horvath, uma ferramenta que os pesquisadores usam para avaliar a idade biológica de uma pessoa com base em mudanças químicas específicas em seu DNA ao longo do tempo.
Os autores do novo estudo usaram sete relógios epigenéticos, incluindo o relógio de Horvath, cada um adicionando diferentes nuances na interpretação do envelhecimento e do risco de morbidade e mortalidade.
Estudos anteriores já haviam mostrado que hábitos saudáveis podem retardar o envelhecimento epigenético, mas o atual trabalho traz uma perspectiva inédita.
"Acho que este é um estudo muito rigoroso, e o que é particularmente novo para mim é que o engajamento com as artes pode ter efeitos comparáveis aos da atividade física", diz Horvath.
Horvath explica que a idade cronológica de uma pessoa é a sua idade real em anos, baseada na data da certidão de nascimento. Porém, dado que as pessoas não envelhecem no mesmo ritmo, um relógio epigenético pode avaliar o seu ritmo de envelhecimento, ou seja, a sua idade "biológica".
"No geral, sinto que este estudo leva o campo dos relógios epigenéticos a novas fronteiras", diz ele, em direção à avaliação dos efeitos das atividades de lazer no envelhecimento.
Os relógios epigenéticos são testes que analisam padrões de metilação do DNA. À medida que envelhecemos, marcadores químicos chamados grupos metil se ligam ao nosso DNA. O padrão desses marcadores fornece aos pesquisadores um indicador da idade biológica.
"Você pode usar a metilação para medir o tempo em todas as células que contêm DNA", explica Horvath.
Horvath passou anos na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, estudando como esse biomarcador molecular do envelhecimento funciona. Em sua pesquisa, ele documentou como a metilação altera uma das quatro letras do DNA — especificamente o C, que significa citosina.
"Algumas das mudanças nos protegem", diz ele, "mas outras podem levar a consequências adversas". Ele e seus colaboradores identificaram locais no DNA onde o padrão de modificações químicas está mais altamente correlacionado com as mudanças do envelhecimento. Eles descobriram que, quanto maior a proporção de DNA metilado em determinados locais, mais acelerada é a idade biológica de uma pessoa.
"Passamos mais de 10 anos tentando entender quais fatores aceleram o seu relógio epigenético", diz Horvath. Eles descobriram que o tabagismo, a alimentação não saudável, o estilo de vida sedentário e "praticamente qualquer fator de estilo de vida que faça mal para você" aceleram o relógio.
Por outro lado, uma dieta rica em micronutrientes de frutas e vegetais, um peso corporal saudável e exercícios regulares ajudam a retardar a metilação.
O estudo da University College London sugere analisar mais a fundo os benefícios das artes para a saúde.
Os dados da pesquisa incluíram apenas um panorama momentâneo da atividade artística dos participantes, já que eles foram questionados sobre quais tipos de hobbies artísticos e eventos culturais haviam participado nos últimos 12 meses. "É uma observação intrigante, mas definitivamente precisa ser replicada", diz Horvath.
E muitas perguntas permanecem. Por exemplo, se uma pessoa que não é ativa nas artes, hoje, adotar um novo hobby musical ou artístico na meia-idade, ela também vai experimentar uma desaceleração no envelhecimento? E com que frequência precisaria participar para sentir a diferença.
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