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Pandemia de Covid-19 promoveu mudanças nos hábitos de fumantes

O maior risco de contaminação foi associado ao maior interesse em parar de fumar
O maior risco de contaminação foi associado ao maior interesse em parar de fumar - iStock

Redação Publicado em 08/06/2021, às 17h30

Uma nova pesquisa feita pelo Hospital Geral de Massachusetts (MGH - Estados Unidos) e publicada no Journal of General Internal Medicine descobriu que fumantes tiveram respostas diversas à pandemia de Covid-19: enquanto algumas pessoas aumentaram o consumo de cigarro para lidar com o período, outras decidiram parar de fumar para diminuir a vulnerabilidade à doença. 

Estudos anteriores mostraram que o uso do álcool aumentou durante a pandemia, mas pouco se sabia sobre como fumantes haviam reagido a esse novo contexto. Para os pesquisadores, as pessoas podem ter elevado o tabagismo devido ao estresse e ao tédio. Por outro lado, o medo de contaminação pode ter levado outras pessoas a reduzirem o tabaco ou pararem de fumar.

32% aumentaram e 37% diminuíram

Foram analisadas as respostas de 694 fumantes que haviam sido hospitalizados antes da pandemia e participado de um teste clínico de interrupção do tabagismo em hospitais das cidades de Boston, Nashville e Pittsburgh. A pesquisa foi aplicada de maio a julho de 2020.

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Confira, aqui, dicas de como parar de fumar

Os achados revelaram que 68% dos entrevistados acreditam que o tabagismo aumenta o risco de contrair a Covid-19 ou de ter um quadro mais grave da doença. Essa percepção foi maior em Massachusetts (onde a pandemia estava mais preocupante) do que na Pensilvânia e no Tennessee. O maior risco de se contaminar com a doença foi associado a um maior interesse em parar de fumar.

Durante a pandemia, 32% dos participantes relataram ter aumentado o tabagismo enquanto 37% disseram que diminuiram o consumo e 31% não fizeram alterações. Aqueles que fumaram mais apresentaram uma tendência maior de perceber mais o estresse. 

Além disso, 11% dos entrevistados que fumavam em janeiro de 2020 (antes da pandemia) haviam parado de fumar quando a pesquisa foi administrada (uma média de seis meses depois), enquanto 28% dos ex-fumantes tiveram recaída. Assim, ter a percepção de um risco elevado de Covid-19 foi associado à maior probabilidade de deixar de fumar e menores chances de sofrer uma recaída.

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Oportunidade de conscientização

O tabagismo é a principal causa de morte evitável nos Estados Unidos. Para os pesquisadores, a Covid-19 deu aos fumantes mais uma boa razão para parar de fumar. Segundo eles, o contexto também é uma ótima oportunidade para profissionais do sistema de saúde educarem as pessoas sobre a vulnerabilidade em relação à doença - e também incentivá-las a usar esse período para parar totalmente com o consumo de cigarros. 

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