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Estudo ajuda a explicar por que Covid grave é mais rara em crianças

Pesquisa foi feita na Austrália e constatou diferença nas respostas de adultos e crianças
Pesquisa foi feita na Austrália e constatou diferença nas respostas de adultos e crianças - iStock

Redação Publicado em 23/02/2021, às 10h45

Já é sabido que a Covid-19 ataca de forma mais grave um certo grupo de pessoas, como idosos ou quem possui doenças respiratórias. Crianças são menos propensas a apresentar complicações graves e, segundo um estudo publicado na Nature Communications, há um motivo para isso: o sistema imunológico delas é mais rápido no ataque ao vírus.

Como afirma a coordenadora da pesquisa, Melanie Neeland, do Instituto de Pesquisas em Crianças Murdoch (MCRI), na Austrália, as crianças têm menor probabilidade de se infectar com o vírus e até um terço delas é assintomática, o que difere bastante da maior prevalência e gravidade observada em crianças para a maioria dos outros vírus respiratórios.

O estudo analisou amostras de sangue de 48 crianças e 70 adultos em 28 domicílios de Melbourne, na Austrália, infectados ou expostos ao novo coronavírus. As respostas imunológicas foram monitoradas durante a fase aguda da infecção e até dois meses após. 

Resposta diferente

Melanie explica que a infecção por coronavírus em crianças foi caracterizada por uma ativação dos neutrófilos, um tipo de glóbulo branco que ajuda a curar tecidos danificados e a combater infecções. Junto com isso, houve uma redução em outras células do sistema imune que costumam agir assim que um inimigo se instala, como monócitos, células dendríticas e células "natural killers" ("assassinas naturais").

Essa resposta sugere que as células imunológicas migram para os locais de infecção e eliminam rapidamente o vírus, antes que ele tenha a chance de se instalar. Isso significa que o teste dessas crianças também não dará positivo. 

“Isso mostra que o sistema imunológico inato, nossa primeira linha de defesa contra germes, é crucial para prevenir Covid-19 grave em crianças. É importante ressaltar que essa reação imunológica não foi replicada entre os adultos no estudo”, finaliza a pesquisadora.

O estudo confirma os resultados de um trabalho anterior, realizado no próprio instituto, com crianças de uma mesma família, e comparou as respostas imunológicas dos pequenos com a de seus pais.