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Consumo adequado de proteínas é fundamental para uma pele saudável

Existe uma degradação natural das proteínas de nosso organismo; células morrem e se renovam o tempo todo - iStock
Existe uma degradação natural das proteínas de nosso organismo; células morrem e se renovam o tempo todo - iStock

Você sabe o que são proteínas?

Existem moléculas chamadas aminoácidos. Na natureza existem cerca de 200, mas o ser humano consegue absorver e metabolizar apenas 20 deles. Destes aminoácidos, 9 não conseguimos fabricar e vêm exclusivamente da dieta: são os chamados essenciais.

Esses aminoácidos ligam-se em cadeias chamadas proteínas. A sequência e combinação desses 20 aminoácidos dita como aquela proteína vai funcionar. E as proteínas exercem funções absurdamente diferentes, como proteína dos músculos que são capazes de deslizar uma sobre a outra fazendo a contração muscular, anticorpos que reconhecem o inimigo, se ligam a ele e chamam células de defesa para destruir o invasor, hemoglobina que se liga ao oxigênio que respiramos nos pulmões e leva até TODAS as células do nosso corpo para que executem suas funções e ainda as chamadas enzimas que transformam proteínas em outras proteínas quebrando, unindo ou rearranjando aminoácidos.

70% da nossa pele é composta por proteínas

A pele nos protege de perda de água, agressões diárias, controle de temperatura, e é uma barreira entre nosso corpo e o ambiente em que vivemos. A queratina compõe a epiderme que deixa nossa pele resistente a agressões; a sola dos pés ou das mãos têm uma camada espessa que nos permite pisar e segurar objetos sem machucar. O colágeno e elastina dão elasticidade, conseguimos dobrar e esticar os braços sem que a pele se rompa, sorrimos e temos expressões faciais contraindo músculos que enrugam e relaxam e pele que os cobre e assim nos comunicamos.

Existe uma degradação natural das proteínas de nosso organismo; células morrem e se renovam o tempo todo.

Estudos mostram que cerca de 300 g de proteínas corporais são degradadas e sintetizadas todos os dias, e que temos uma perda diária de 20 a 30 g de proteínas mesmo em condição de inanição.

Em condições de alimentação inadequada, o corpo vai precisar de proteína para manter órgãos vitais de qualquer jeito. O coração não pode parar, muito menos os rins, fígado, cérebro entre outros órgãos, a albumina do sangue rapidamente é utilizada para repor essas perdas, proteínas do músculo são degradadas para manter o nível de albumina, e assim temos uma forma de hierarquia de necessidade de proteína: o corpo tem que se manter vivo.

E a pele? A pele espera; colágeno e elastina não são mais importantes que as proteínas cardíacas ou cerebrais.

Confira: 

Exercício físico envelhece? 

Atletas possuem um consumo proteico enorme nos músculos que estão sendo exercitados e a proteína é direcionada para essa função. Por isso, muitos dizem que exercício físico envelhece, o que é errado (entenda melhor aqui)! Provavelmente, a necessidade proteica destes atletas é tão alta que o consumo não está adequado e até o colágeno é utilizado como fonte de proteína para reabastecer os músculos.

E não adianta gastar fortunas em tratamentos estéticos com bioestímulo de colágeno, lasers, peelings, etc se não há tijolos disponíveis para a fabricação de colágeno na pele.

De quanta proteína precisamos por dia

Uma conta simples é que precisamos de 1 a 1,5 g de proteínas por kg de peso por dia para manter a necessidade diária sem prejuízo de nenhuma função. Se existe um preparo físico para hipertrofia muscular essa recomendação pode chegar a 2,5 g por kg de peso por dia.

E não é fácil tamanha ingestão. Por exemplo, uma pessoa com 70 kg que faz atividade física de moderada intensidade precisa de cerca de 100 g de proteína por dia. Um bife bovino de 100 g tem cerca de 30 g de proteínas, um ovo, apenas 6 g. E ingerir a quantidade recomendada de proteínas fica ainda mais difícil quando sabemos que conseguimos absorver apenas 30 g de uma vez, e que com a idade diminui a capacidade de absorvermos proteínas.

O colágeno é composto por glicina, prolina, hidroxiprolina e um outro aminoácido que pode variar nesta sequência. Então, precisamos consumir uma quantidade mínima de proteínas para abastecer todo o organismo e garantir que temos glicina, prolina e hidroxiprolina livres e disponíveis para a fabricação de colágeno.

Alimentos como peixe, carne bovina, frango, ovos e derivados do leite são ricos em colágeno, proteínas vegetais como soja, ervilhas e alguns outros legumes também possuem os aminoácidos necessários, mas em menos quantidade. Estes alimentos serão quebrados por enzimas digestivas, transformados em aminoácidos e levados até a pele para a fabricação do colágeno como se fossem os tijolos. Porém, a reação de fabricação deste colágeno precisa de cofatores, como se fossem o cimento, que são zinco, vitamina C, biotina e ácido ortosilício, que podem ser obtidos por frutas, verduras, frutos do mar e castanhas.

E alguns fatores também atrapalham essa reação, como excesso de radicais livres causado por estresse, sedentarismo, cigarro, excesso de álcool, qualidade de sono ruim. Tomar pouca água pode interferir. Também haverá prioridade em direcionar a água para o sangue, rins, fígado, músculos e novamente: o que sobrar vai para a pele? Muito pouco.

Vale a pena investir em suplementos?

Uma dieta balanceada garante que os aminoácidos, vitaminas e sais minerais certos estejam disponíveis para a pele conseguir fabricar colágeno e elastina. Mas se a sua dieta não fornece todos esses ingredientes, é importante complementar essas quantidades. Estudos mostram a melhora da elasticidade e hidratação da pele com suplementação de colágeno e os seus cofatores. Ideal é conversar com uma nutricionista para avaliar seus hábitos alimentares.

Um estilo de vida saudável e consciente também é uma questão de pele!

* Beatriz Lassance é cirurgiã plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e com residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. Instagram: @drabeatrizlassance

**Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Site Doutor Jairo