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Conexão online com desconhecidos pode piorar sensação de solidão

Adicionar pessoas desconhecidas nas redes sociais não melhora o bem-estar, segundo estudo - iStock
Adicionar pessoas desconhecidas nas redes sociais não melhora o bem-estar, segundo estudo - iStock

Redação Publicado em 12/05/2026, às 10h00

Adicionar pessoas desconhecidas nas redes sociais não ajuda a diminuir a sensação de solidão. Pelo contrário: um novo estudo feito nos Estados Unidos sugere que esse tipo de conexão online pode estar ligado a um aumento do isolamento emocional.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade do Estado do Oregon, nos EUA, e analisou hábitos digitais e níveis de solidão em mais de 1.500 adultos entre 30 e 70 anos.

Segundo os pesquisadores, manter contato online com amigos e conhecidos da vida real não aumentou a solidão. Mas também não reduziu esse sentimento.

Já as interações frequentes com pessoas nunca encontradas pessoalmente apresentaram associação com maiores níveis de solidão.

Conexões digitais x reais

O coordenador do estudo, Brian Primack, afirma que pessoas que se sentem solitárias talvez precisem olhar com mais atenção para a forma como usam as redes sociais.

“Pessoas que enfrentam solidão podem se beneficiar ao priorizar conexões presenciais em vez das interações pelas redes sociais, mesmo quando essas conexões online parecem próximas”, afirma.

Os pesquisadores destacam que o estudo mostra apenas uma associação entre comportamento digital e solidão. Ou seja, não é possível afirmar que as redes sociais causem diretamente o problema.

Solidão afeta saúde mental e física

Nos últimos anos, a solidão passou a ser tratada como uma questão importante de saúde pública nos EUA.

Segundo um relatório citado pelos autores, cerca de metade dos adultos americanos já relatava níveis significativos de solidão antes mesmo da pandemia de Covid-19.

A falta de conexão social também tem sido associada a impactos importantes na saúde física e mental, como:

  • maior risco de depressão
  • aumento das chances de doenças cardíacas
  • maior risco de AVC
  • aumento do risco de demência em idosos
  • maior probabilidade de morte precoce

Os cientistas explicam que a solidão persistente pode afetar o organismo de diferentes formas, incluindo estresse crônico, pior qualidade do sono e aumento da inflamação no corpo.

Idealização nas redes e isolamento

Outro ponto levantado pelo estudo é o efeito da comparação social nas plataformas digitais.

De acordo com a pesquisadora Jessica Gorman, as redes sociais favorecem interpretações distorcidas sobre a vida dos outros.

“Muitas vezes, as interações online levam à idealização das amizades e relações de outras pessoas, o que pode aumentar os efeitos da comparação social”, explica.

Segundo ela, esse efeito pode ser ainda mais forte quando a conexão envolve alguém que a pessoa nunca encontrou pessoalmente. Isso porque não existe uma experiência real que ajude a equilibrar essa percepção idealizada.

Adultos também são impactados

Os pesquisadores lembram que a maioria dos estudos anteriores sobre redes sociais e solidão focava adolescentes e jovens adultos.

Desta vez, o objetivo foi analisar pessoas de meia-idade e idosos, grupo que representa cerca de 75% da população americana.

Segundo os autores, esse público também está fortemente exposto às redes sociais e pode sofrer consequências importantes da solidão ao longo do envelhecimento.

A pesquisa analisou o uso pessoal de plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, WhatsApp, YouTube, X e LindekIn, entre outras.

Os dados mostraram que, em média, cerca de 35% dos contatos nas redes sociais eram pessoas que os participantes nunca haviam conhecido presencialmente.