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Sharenting: veja como proteger as crianças dos riscos da exposição na internet

Entre os perigos do shareting estão problemas de saúde mental, transtornos alimentares e cyberbullying - iStock
Entre os perigos do shareting estão problemas de saúde mental, transtornos alimentares e cyberbullying - iStock

Redação Publicado em 16/09/2021, às 16h30

Não é difícil encontrar pelo mundo das redes sociais perfis que documentam a rotina e diversos aspectos da vida de uma criança. Utilizar a internet para compartilhar experiências da maternidade e da paternidade é uma prática cada vez mais comum. 

Entretanto, toda essa facilidade e liberdade tem um preço. Pais ou responsáveis por esses pequenos podem acabar expondo de forma indevida informações pessoais de seus filhos e, consequentemente, colocá-los em uma situação de vulnerabilidade

O fenômeno do shareting 

Essa posição excessiva e desmedida é conhecida como shareting –  termo em inglês que une as palavras “share” (compartilhar)  e “parenting” (paternidade) –, uma tendência crescente e que pode trazer consequências indesejadas. 

Nesse contexto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um guia chamado “#SemAbusos #MaisSaúde” que tem o objetivo de alertar e de orientar pediatras e pais sobre os perigos e os impactos que essa atitude pode ter em longo prazo para seus pacientes e filhos.

O perigo está em não ser possível saber quem está do outro lado da tela, além do conteúdo compartilhado nas redes sociais poder ser alterado por criminosos de violência e abusos nas redes internacionais de pedofilia ou pornografia, por exemplo. 

Vale lembrar que a exposição exagerada das informações sobre menores é considerada uma ameaça à intimidade, à vida privada e ao direito à imagem, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Somado a isso, todo o conteúdo publicado na internet gera dados que, no futuro, podem ser desaprovados pelas crianças.

Confira:

Não é algo novo 

O shareting é um fenômeno antigo e que nasceu em 1920 com as estrelas mirins de Hollywood. Um dos grandes casos emblemáticos relacionados a esse tema é do ator Jackie Coogan, que interpretou o garoto no filme The Kid (1921), dirigido por Charlie Chaplin. 

Na época, além de ser uma estrela do cinema, o menino foi explorado pelos pais por, pelo menos, uma década, através da publicidade. Quando atingiu a maioridade, abriu um processo judicial contra os próprios familiares alegando exploração da sua imagem. 

Quais são os riscos?

Entre os riscos que a exposição excessiva pode trazer está o universo dos dados das crianças. Os interesses envolvendo esse fator são os mais variados e podem ser utilizados para diversas finalidades: cyberbullying, uso indevido de imagens e vídeos, roubo de identidade, fins comerciais e tantas outras ameaças à segurança dos pequenos. 

Segundo a SBP, a privacidade on-line garante que as futuras gerações possam chegar à maturidade livres para construir suas próprias identidades digitais. Por essa e por outras razões, é sempre recomendado que exista uma mediação parental em acessos a conteúdos nas redes sociais na tentativa de diminuir os problemas relacionados à segurança e à saúde de crianças e adolescentes. 

Possíveis consequências do compartilhamento excessivo:

  • Perda de privacidade;
  • Problemas de saúde mental (ansiedade, depressão);
  • Transtornos alimentares (anorexia, bulimia);
  • Bullying e cyberbullying;
  • Possibilidade de roubo e fraude de identidade;
  • Riscos das imagens e dos vídeos serem mal utilizados e alterados.

No Brasil ainda não existem medidas legislativas específicas que regulem a privacidade dos menores na internet. Dessa forma, a simples publicação de uma foto pode ter diversas interpretações e prejuízos, mesmo anos após a postagem.

Inclusive, para tentar minimizar os riscos decorrentes da exposição exagerada de informações sobre as crianças na internet, a Google anunciou que lançará um serviço que permite remover imagens pessoais de adolescentes menores de 18 anos em seus resultados de pesquisa. Porém, essas fotos serão retiradas apenas das buscas do Google Imagens e não de toda a internet.

Como se proteger?

Como essa tendência de compartilhar excessivamente imagens e vídeos de crianças nas redes sociais ainda é algo relativamente novo, as possíveis repercussões que isso trará para a vida delas ainda são desconhecidas - e é exatamente esse fato que preocupa. 

Uma coisa é certa: os pais que optam por não compartilhar conteúdo de maneira exagerada de seus filhos na internet preservam também a saúde mental futura deles. Além disso, de acordo com a SBP, não são apenas os pais que devem ser mais cuidadosos, familiares e cuidadores também precisam estar cientes das consequências que essa exposição pode trazer.

Os pais que desejam publicar fotos e vídeos de seus filhos on-line podem adotar algumas medidas de proteção para garantir que o conteúdo não seja usado para fins maliciosos. Por exemplo, é possível limitar o público de postagens para que apenas pessoas confiáveis possam ver. 

O que nunca deve ser compartilhado:

  • Dados de localização;
  • Nome completo da criança;
  • Imagens de filhos não totalmente vestidos;
  • Data de nascimento da criança;
  • Fotos e vídeos ou detalhes sobre outras crianças;
  • Informações sobre a escola que frequenta ou algo que indiretamente possa denunciar a criança, como a imagem dela com uniforme escolar.

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