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Quem tem transtorno alimentar demora pra buscar ajuda; veja alguns motivos

Jairo Bouer

15 de abril


Jovens com transtornos alimentares como anorexia, bulimia e comer compulsivo têm demorado muito para buscar tratamento, de acordo com um estudo australiano. E o principal motivo é o receio de deixar os outros preocupados ou a própria dificuldade de identificar essas doenças.

A pesquisa contou com quase 300 jovens australianas de 18 a 25 anos que apresentavam sintomas como preocupação exagerada com o peso, episódios de ingestão exagerada de comida e uso de recursos extremos para perder peso, como indução de vômitos, uso de laxantes, diuréticos e moderadores de apetite. Apesar de a amostra ser pequena e localizada, os resultados servem de alerta para que profissionais de saúde e a população saibam identificar esses comportamentos nem um pouco saudáveis.

Além de não quererem despertar a preocupação dos familiares, as pacientes entrevistadas também adiaram a busca por auxílio por vergonha, tendência a negar o problema ou pelo temor de que outras pessoas não acreditem que transtornos alimentares sejam doenças de verdade.

Para se ter uma ideia de prevalência, estima-se que entre 0,5 e 4% das mulheres terão anorexia nervosa ao longo da vida, de 1 a 4,2%, bulimia nervosa, e 2,5% enfrentarão o transtorno do comer compulsivo. Os quadros mais leves, que não chegam a preencher todos os critérios de diagnóstico, abrangem 15% da população feminina. Homens também são afetados, mas em proporções menores.

O objetivo do estudo, realizado por uma equipe da Universidade Flinders em parceria com pesquisadores alemães, foi entender o que faz essas jovens demorarem para procurar ajuda – muitas vezes anos. Isso pode dificultar bastante o tratamento e causar complicações. A anorexia pode levar à desnutrição e morte, enquanto os outros quadros podem gerar problemas de saúde variados, como desidratação ou obesidade. Sem contar todo o sofrimento emocional envolvido.

As conclusões, apresentadas no International Journal of Eating Disorders, revelam a importância de adolescentes e jovens adultos receberem informações corretas para que saibam identificar os sintomas. Ao contrário do que muita gente divulga nas redes sociais, compulsão alimentar não é defeito de caráter, assim como a obsessão em emagrecer também não deve ser encarada como algo “normal”.

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