Doutor Jairo
Leia » Tecnologia

Pessoas com autismo ainda se sentem só apesar das comunidades online

Apesar dos benefícios, muitos autistas ainda se sentem solitários na internet
Apesar dos benefícios, muitos autistas ainda se sentem solitários na internet - Freepik

Redação Publicado em 15/03/2021, às 19h48

Uma revisão de estudos mostra que indivíduos com transtorno do espectro autista tendem a se beneficiar muito do uso da internet para se relacionar. Mas a análise indica que muitos deles se sentem solitários, apesar de participarem de comunidades online. 

O uso da internet por jovens com autismo têm sido objeto de estudo há bastante tempo, muito antes da pandemia de Covid-19. Porém, segundo pesquisadores da  Universidade Drexel (Estados Unidos), faltava uma revisão sistemática sobre os riscos e vantagens da tecnologia para essa população, bem como entender melhor quais as contribuições, falhas e oportunidades encontradas nas comunidades online. 

Para fazer a análise, os pesquisadores utilizaram cinco bancos de dados diferentes que listavam estudos sobre uso da internet por pessoas com autismo. Após filtrarem melhor, eles selecionaram 32 artigos, com um total de 3.026 jovens de 10 a 17 anos e adultos com autismo

Maior controle nas interações

Entre os principais benefícios das mídias sociais para pessoas com autismo estão o controle maior sobre o que falar e como se envolver com outras pessoas, e maior sensação de calma durante as interações. 

As redes sociais também oferecem oportunidades para que indivíduos com autismo encontrem pessoas com vivências parecidas e a se sentirem parte de uma comunidade.

Em contrapartida, os resultados da análise sugerem que alguns autistas continuam solitários e desejam relacionamentos presenciais, apesar de cultivarem amizades virtuais. 

Quais são os próximos passos?

Para os pesquisadores, entender melhor os benefícios proporcionados pelas comunidades online pode permitir a criação de intervenções mais bem-sucedidas. Eles também acreditam que são necessárias mais pesquisas sobre como essas pessoas navegam em temas referentes à sexualidade, a fim de reduzir a vulnerabilidade dessa população na internet. 

Os autores também chamam atenção para a importância de se fazer mais estudos sobre o tema que incluam mulheres com autismo, indivíduos de grupos socioeconômicos menos favorecidos, bem como com pessoas do espectro que façam parte de minorias raciais e étnicas ou que sejam transgênero.