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FoMO não afeta só adolescente viciado em rede social

Jairo Bouer

27/08/2020 14:00




A maioria das pessoas associa o FoMO (“fear of missing out”, ou medo de estar perdendo algo) a um fenômeno típico dos adolescentes viciados em mídias sociais. Mas, de acordo com pesquisadores da Universidade do Estado de Washington, nos EUA, a tendência a sofrer com isso não tem nada a ver com idade ou nível de dependência tecnológica.

A equipe, coordenada pelo professor de psicologia Chris Barry, conduziu uma pesquisa com mais de 400 indivíduos de 14 a 47 anos para chegar a essas conclusões, publicadas no Journal of Social and Personal Relationships.

A análise revelou que o FoMO, na verdade, está ligado a aspectos de autopercepção, ou seja, solidão, baixa autoestima e baixa autocompaixão. Essas características é que levariam as pessoas a ficar ansiosas com a ideia de que outras pessoas estão se divertindo sem você.

Os pesquisadores achavam que encontrariam mais FoMO entre os participantes mais jovens, mas não foi isso que eles observaram. Eles perceberam que a frequência de uso das mídias sociais também não é um bom indicador, pois duas pessoas com o mesmo tipo de envolvimento com essas plataformas podem ser afetadas de maneira muito diferente.

Enquanto alguns indivíduos não se incomodam muito com o que os amigos têm feito na rede, outros podem ficar perturbados ao ver que os outros têm feito coisas incríveis, e eles não. Para esses últimos, o uso de mídias sociais pode ser uma fonte de sofrimento.

Para quem percebe as emoções negativas despertadas pelo FoMO, os autores do estudo recomendam dar um tempo nas plataformas, ou diminuir o uso drasticamente. Mas eles garantem que esse tipo de ansiedade não está tão relacionado ao senso de satisfação com a vida – ou seja: medo de estar perdendo algo não é coisa de gente frustrada.

De qualquer forma, eles acreditam que praticar a autocompaixão, tomar providências para reduzir a solidão e focar no presente também são medidas que ajudam a evitar o FoMO. Quem tem conexões sociais mais profundas e se concentra no momento atual tende a dar menos importância para o que os outros estão fazendo.

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