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Anitta revela estupro na adolescência; quais os riscos emocionais do trauma?

Anitta chorou ao fazer seu desabafo durante o primeiro episódio de sua série documental
Anitta chorou ao fazer seu desabafo durante o primeiro episódio de sua série documental - Crédito: Instagram/@anitta

Redação Publicado em 16/12/2020, às 13h02

Anitta fez uma revelação triste durante o primeiro episódio de sua série documental ‘Anitta: Made In Honório’, que conta sua história desde a infância até o sucesso, lançada nesta quarta-feira (16). 

A cantora afirmou que foi estuprada por um rapaz com quem se relacionava na adolescência.

"Oi, todo mundo. Vamos lá. Nunca expus isso em público. Sempre me coloquei em umas relações meio abusivas. Quando eu tinha 14 para 15 anos eu conheci uma pessoa e eu tinha medo dele. Ele era autoritário comigo, falava de forma autoritária. Eu não sei, eu era diferente quando adolescente, não era do jeito que sou hoje em dia", disse ela, às lágrimas.

Em sequência, ela revelou que tudo aconteceu em uma noite que ele estava muito estressado e ela propôs que fossem para um lugar mais tranquilo a sós.

"Quando cheguei lá eu realizei que não era certo eu fazer aquilo por medo nem nada. Eu falei que não queria mais, mas ele não ouviu. Ele não falou nada. Ele só seguiu fazendo o que queria fazer. Quando ele acabou, ele saiu, foi abrir uma cerveja, e eu fiquei olhando assim para cama cheia de sangue", descreveu Anitta.

Assim como muitas mulheres que passam pela mesma situação, a funkeira se culpou durante muito tempo até perceber o que realmente havia acontecido.

"Faz muito pouco tempo que parei de achar que isso é culpa minha. Faz muito pouco tempo que eu parei de achar que eu causei isso pra mim. Sempre tive medo do que as pessoas iam falar. 'Como ela pode ter sofrido isso e hoje ser tão sexual, ser tão aberta?'. Não sei. O que eu sei é que peguei isso que vivi e transformei numa coisa pra me fazer sair por cima, me fazer sair melhor".

Quais os riscos emocionais do trauma?

O relato de Anitta expõe a frequência com que crianças são abusadas sexualmente. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019, o país registra 180 estupros por dia. Quase 82% das vítimas são do sexo feminino e quase 54% das vítimas têm até 13 anos. Isso significa que a cada hora, 4 meninas nessa faixa etária são estupradas.

Uma das consequências mais comuns do abuso na infância é o estresse pós-traumático, que envolve pensamentos intrusivos (“que invadem a nossa mente de forma recorrente e contra nossa vontade”) sobre o que aconteceu, insônia e pesadelos. 

Sensação de culpa, vergonha, medo e baixa autoestima também são frequentes e podem levar a abuso de substâncias, quadros de ansiedade, depressão e outros transtornos psiquiátricos. Vítimas do sexo feminino ficam ainda mais propensas a problemas sexuais e sintomas ginecológicos, como dificuldade de sentir desejo, prazer e orgasmo, dor pélvica crônica, vaginismo e dor nas relações sexuais.

Ser acolhido, receber suporte social e tratamento adequado para os transtornos emocionais que eventualmente surjam é essencial para superar um trauma em qualquer idade. Isso tudo só é possível, claro, quando o abuso é denunciado, o que é mais difícil quando o crime envolve crianças.