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Caso Mariana Ferrer: sentença e vídeos da audiência retratam machismo estrutural

Da Redação

3/11/2020 19:58




O caso Mariana Ferrer, que foi vítima de estupro no final de 2018, veio à tona novamente após cenas da audiência serem vazadas, nesta terça-feira (3).

Divulgadas pelo ‘The Intercept Brasil’, as imagens mostram o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, representante de André de Camargo Aranha, réu no caso, humilhando Ferrer ao exibir fotos feitas pela jovem durante um trabalho como modelo.

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Crédito: Instagram

Ainda de acordo com o veículo, o promotor do caso, Thiago Carriço, afirmou não havia como o empresário saber que a jovem não estava em condições de consentir a relação, não existindo a ‘intenção’ de estuprar.

O juiz Rudson Marcos, então, aceitou a argumentação da defesa do rapaz de que ele cometeu ‘estupro culposo’, um crime que não é previsto por lei. Não sendo possível ser condenado por um crime que não existe, Aranha foi absolvido.

Nas gravações, Mariana apareceu visivelmente abalada e disse: “Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?”.

A gravação é interrompida para que ela possa tomar uma água e o juiz pede para o advogado manter um ‘bom nível’.

Entenda o caso

Segundo Mariana, o estupro teria acontecido na noite de 15 de dezembro de 2018 em uma festa de inauguração do verão Music Sunset da boate Café de la Musique, em Jurerê Internacional, em Florianópolis.

Ferrer tinha 21 anos e trabalhava como promotora de eventos para o local. Um vídeo, solicitado pela polícia, mostra Mariana grogue subindo uma escada com a ajuda de André, indo em direção a um camarim restrito.

A vítima acredita ter sido dopada por alguma substância e a única bebida alcoólica anotada em sua comanda foi uma dose de gim. Mariana era virgem até aquela noite, o que foi confirmado pelo exame pericial.

Caso retrata machismo estrutural

O machismo estrutural da nossa sociedade dá espaço para que julgamentos como esse possam acontecer em pleno século XXI, onde imagens de trabalho antigas da vítima podem ser usadas para sugerir que ela não poderia alegar estupro. Outro ponto curioso a ser levado em consideração é que na audiência havia apenas homens e eles pouco fizeram para se opor à fala do advogado do réu.

 

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