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Fiuk: remédios para depressão e ansiedade causam abstinência?

Reprodução/Facebook
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Redação Publicado em 14/02/2021, às 18h52

Fiuk despertou a atenção do país, nas últimas semanas, ao revelar no BBB21 que sofre de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Nos últimos dias, porém, alguns comentários e memes sobre suas crises de choro na casa pegaram pesado. Primeiro, foi a irmã Cleo, que saiu em sua defesa com um vídeo para repudiar quem zomba da hipersensibilidade de Fiuk, que chorou algumas vezes no programa.

Já ontem à noite (13), foi a vez da equipe que cuida das redes sociais de Fiuk se pronunciar no Facebook, para pedir empatia do público: “No programa, ele está em evidente abstinência de medicações para a depressão e ansiedade. Isso vem afetando muito o estado psíquico dele”, explica o texto, que ainda convida os seguidores a assistir a uma live com uma psiquiatra que sofre de TDAH e tem um livro sobre o assunto.

Procuramos a equipe para tentar entender melhor o que significa a “abstinência” referida no comunicado, mas ainda não recebemos resposta. A TV Globo chegou a divulgar nota em que afirma não poder comentar nenhum tratamento médico seguido pelos confinados, por causa do sigilo entre médico e paciente. A emissora também pontuou que os participantes tem acesso a atendimento médico e psicológico sempre que necessário.

O que é abstinência?

Abstinência, a rigor, é um estado marcado por uma série de sintomas causados pela redução ou interrupção de alguma substância de uso diário. Isso pode ocorrer, por exemplo, em usuários pesados de álcool ou de drogas ilícitas. Mas pode ocorrer, também, com alguns medicamentos de prescrição, como opioides, benzodiazepínicos, hipnóticos ou estimulantes.

No caso dos benzodiazepínicos, uma das classes de medicamentos mais utilizadas no país, o uso prolongado (por um período maior que de quatro a seis semanas) pode provocar dependência, tolerância e síndrome de abstinência. “É por isso que esses medicamentos devem ser usados apenas em situações pontuais, durante curtos períodos, e sua redução deve ser lenta e gradual, sempre com acompanhamento do médico”, explica o psiquiatra Jairo Bouer.

Os sintomas mais comuns para quem interrompe o uso dessas drogas são: insônia, pesadelos, ansiedade, agitação, disforia (depressão), dificuldade de concentração e memória, dor de cabeça, náusea, sudorese e palpitações, entre outros. Em geral, eles são mais intensos nos primeiros dias após a descontinuação abrupta, e tendem a se reduzir com o passar do tempo e com uma redução bem gradual, orientada pelo médico. 

Se uma pessoa costuma utilizar benzodiazepínicos apenas em situações pontuais, como numa crise aguda de ansiedade, e, de repente não tem mais acesso ao recurso, já não daria  para falar em abstinência.

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Antidepressivos

Enquanto o uso de sedativos ou medicamentos para dormir pode ser indicado apenas em situações específicas, para alívio de sintomas agudos, o tratamento com antidepressivos (também indicado em alguns quadros de ansiedade) é bem diferente. O medicamento só começa a fazer efeito após algumas semanas de uso diário, por isso ninguém vai se sentir “melhor” ou “mais calmo” se tomar uma dose durante uma crise.

A interrupção ou redução abrupta do antidepressivo também podem provocar sintomas como labilidade emocional (mudanças repentinas de humor), choro fácil, ansiedade, irritabilidade, dor de cabeça, tonturas e náusea, entre outros, que tendem a diminuir após algumas semanas. Mesmo assim, a redução da droga também deve ser sempre lenta e gradual, para evitar esses sintomas.

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