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BBB21: Como a atitude de Karol Conká pode impactar a saúde mental de Lucas

Lucas Penteado tem sido excluído de todas as atividades da casa
Lucas Penteado tem sido excluído de todas as atividades da casa - Reprodução / Globo

Redação Publicado em 02/02/2021, às 11h05

Há uma semana no ar, o BBB21 já está com uma das maiores discussões que surgiram ao longo de toda a história do reality. Isso porque o participante Lucas Penteado, nas duas festas que aconteceram no programa, teve atitudes consideradas inadequadas e agressivas por parte da "casa",  que fizeram com que muitos brothers e sisters se afastassem dele.

Contudo, Lucas não está apenas sendo excluído das atividades da casa e isolado pro parte do grupo, como também está sofrendo agressões psicológicas e verbais de Karol Conká. Na última segunda-feira (1), ela o expulsou da cozinha e fez um discurso bem problemático sobre ele: “Quero comer na paz do senhor, entendeu? Não quero que você fale enquanto estou comendo. Me respeita”.

Depois, a cantora foi para o quarto do líder e comentou que gostaria de jogar um copo de água na cara do ator.

O quanto isso pode afetar a saúde mental de Lucas?

Lucas já falou inúmeras vezes no programa que, durante toda sua vida, enfrentou muita discriminação e preconceito. Para qualquer participante do BBB, estar sob a avaliação e julgamento alheio 24 horas por dia, em uma situação de confinamento total,  já é um grande fator de estresse. Para ele, a história de racismo e da exclusão social podem agravar ainda mais essa questão. A  ideia de ser o ganhador de um prêmio de 1 milhão e meio de reais e estar em evidência na mídia foram, possivelmente, os fatores decisivos para que Lucas aceitasse entrar no reality, já que ele mesmo contou que tem o sonho de dar uma casa para a mãe. Contudo, a realidade no jogo pode ser mais dura que ele imaginava. Todo esse estresse junto, somando passado e presente, pode mexer com a saúde mental do ator de uma forma bem complicada.

"O jogo do BBB tem a ver com confinamento, que já gera estresse. Ali dentro, qualquer um está vulnerável, mas quem tem uma história de exclusão fica ou pode ficar mais suscetível a ter explosões de comportamento", explica o doutor Jairo Bouer.

Sobre os erros de Lucas, Jairo diz que, de fato, era importante ter uma conversa e colocar limites, explicar o que ele fez de errado. "Mas para que ele veja onde errou e pense em como mudar, é preciso ter alguém que o ouça.".

Dentro da casa, Lucas, além de ter tido uma longa conversa com Projota, até chegou a procurar a ajuda de uma psicóloga, oferecida pelo programa, e comentou que enxergou seu erro e sabe que deve enfrentar algumas consequências. No entanto, punir, humilhar, agredir, isolar e manipular psicologicamente o jovem são atitudes que só prejudicam sua capacidade de resposta e o colocam em uma situação de grande vulnerabilidade.

"Ele tem sido vítima de uma violência emocional muito grande. Quando Karol passa a excluir e agredir verbalmente, ela gera nele uma carga de estresse muito maior. Isso que ela está fazendo vai na direção oposta de qualquer coisa que ela poderia estar fazendo para ele melhorar. Não acho que seja uma boa estratégia para lidar com qualquer um que tenha cometido erros, nem mesmo em uma situação de jogo".

Por enquanto, a Globo não falou nada sobre o comportamento de Karol Conká, mas na internet, quem acompanha o programa está horrorizado com as atitudes da cantora e os pedidos para sua expulsão não param de crescer.

Preconceito e maior risco de suicídio

O racismo, os preconceitos e a discriminação impactam profundamente a saúde mental das pessoas e aumentam o risco de comportamentos autoagressivos, inclusive com maior risco de suicídio. E, segundo cartilha publicada em 2019 pelo Ministério da Saúde, a cada 10 adolescentes que tiram a própria vida, seis são negros. Em 2016, adolescentes negros de 10 a 19 anos apresentaram um risco 67% maior de suicídio em relação a brancos da mesma faixa etária.

A tendência de autoagressão e suicídio é de crescimento, especialmente para os garotos e até entre as crianças, algo que algumas pesquisas norte-americanas também vêm apontando. Segundo dados publicados no periódico Pediatrics, as taxas de suicídio vem aumentando entre meninos negros de 5 a 12 anos – o risco, nessa faixa etária, é o dobro daquele observado em brancos. Como conclui outra pesquisa, da Universidade de Houston, a dor provocada pela discriminação é tão forte que supera o desejo de viver.