
Redação Publicado em 22/03/2026, às 10h00
Um aplicativo de celular criado para tratar as causas psicológicas da ejaculação precoce pode melhorar significativamente a vida sexual de homens com o problema. Segundo pesquisadores, a ferramenta também pode ajudar a reduzir o estigma que ainda cerca essa condição.
Os dados fazem parte do estudo CLIMACS, apresentados no sábado (14) durante o Congresso Anual da Associação Europeia de Urologia, realizado em Londres. Segundo a equipe, esta é a primeira pesquisa a testar uma abordagem digital como tratamento inicial, feito em casa, para ejaculação precoce.
O aplicativo oferece um programa guiado com técnicas terapêuticas, exercícios e orientações desenvolvidas por urologistas e psicólogos. Também reúne informações baseadas em evidências científicas para ajudar os usuários a entender melhor o que está por trás do problema.
O treinamento tem como objetivo ajudar os homens a reconhecer melhor os sinais de excitação sexual e aprender a controlá-la. Entre os métodos utilizados estão:
A ejaculação precoce é considerada um dos problemas sexuais masculinos mais comuns. De forma geral, ocorre quando o homem ejacula antes do que gostaria durante a relação sexual, muitas vezes em até 60 segundos após a penetração.
Estima-se que até 30% dos homens passem por essa situação em algum momento da vida. Mesmo assim, o assunto ainda é cercado de vergonha. Apenas cerca de 9% procuram ajuda médica.
As causas são variadas e podem incluir:
Esse conjunto de fatores pode gerar ainda mais ansiedade e preocupação durante o sexo, o que piora o problema. Os tratamentos mais comuns disponíveis hoje, como comprimidos ou cremes, costumam aliviar apenas os sintomas.
O estudo CLIMACS, realizado na Alemanha, avaliou se as técnicas ensinadas no aplicativo Melonga App poderiam ajudar a prolongar o tempo até a ejaculação.
Participaram 80 homens sem outras condições de saúde relevantes. Durante 12 semanas, eles responderam questionários sobre experiências físicas e emocionais durante o sexo e mediram, com um cronômetro, o tempo entre a penetração e a ejaculação.
Após esse período, os participantes do grupo controle — que não receberam apoio adicional — também passaram a usar o aplicativo por mais 12 semanas. Ao todo, 66 homens completaram todas as etapas da pesquisa.
Entre os usuários do aplicativo, o tempo médio até a ejaculação praticamente dobrou. O aumento foi de cerca de 64 segundos, passando de 61 para 125 segundos.
Já no grupo controle, o aumento médio foi de apenas 0,5 segundo.
Além disso, os homens que utilizaram o aplicativo relataram:
Depois de 12 semanas, 22% dos usuários relataram que já não apresentavam mais sinais de ejaculação precoce.
O pesquisador principal do estudo, Christer Groeben, da Universidade de Marburg e da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, afirma que a vergonha ainda é uma das maiores barreiras para o tratamento. Ele explicou:
"Muitos homens que convivem com ejaculação precoce não procuram ajuda por causa do constrangimento associado à condição. Nosso estudo mostra que uma ferramenta de autoajuda usada em casa pode ajudar a melhorar o controle da ejaculação e a alcançar uma vida sexual satisfatória sem perder a espontaneidade".
Groeben também destaca que muitos tratamentos disponíveis em farmácias focam apenas nos sintomas.
As terapias mais comuns tratam apenas os sintomas, não as causas. Por isso, muitos homens acabam abandonando o tratamento depois de um tempo e continuam lidando com um peso psicológico que afeta a qualidade dos relacionamentos. Procurar um médico pode ser um grande primeiro passo, e um aplicativo como esse pode ajudar a reduzir essa barreira ao mostrar que a condição é tratável".
Para Giorgio Russo, professor associado de urologia da Universidade de Catânia, na Itália, e representante da Associação Europeia de Urologia, o aplicativo pode ajudar a organizar informações confiáveis sobre o tema.
"Existe muita informação — e também desinformação — para homens que descobrem ter ejaculação precoce. Este aplicativo foi desenvolvido por urologistas e psicólogos para reunir as orientações mais eficazes em um recurso único, fácil de acessar e baseado em evidências".
Russo acrescenta que os resultados chamam atenção. O próximo passo seria realizar estudos maiores e avaliar também o impacto dessa abordagem na satisfação dos parceiros".
Os resultados finais do estudo CLIMACS ainda não passaram por revisão científica independente, processo conhecido como revisão por pares. A publicação completa é esperada ainda este ano.
Atualmente, o aplicativo está disponível em alguns países europeus, como Irlanda, Alemanha, Áustria, Luxemburgo, Liechtenstein e Bélgica.