
Redação Publicado em 29/08/2025, às 10h00
Pilates não é apenas útil para o fortalecimento do “core” e melhora da postura. Um estudo recente traz evidências de que a atividade pode trazer melhorias significativas para mulheres que apresentam disfunção sexual feminina, ou seja, dificuldades para obter prazer ou que sentem dor durante o sexo.
Pesquisadores descobriram que mulheres que participaram de um programa de pilates de 12 semanas relataram melhor função sexual, redução nos sintomas de depressão e maior satisfação sexual geral em comparação com aquelas que não participaram do programa de exercícios.
A disfunção sexual feminina é um problema comum e complexo que pode afetar o bem-estar, a autoestima e a satisfação nos relacionamentos de uma mulher. Embora o envelhecimento esteja associado a maiores taxas de dificuldades sexuais, descobertas recentes indicam que um número significativo de mulheres em idade pré-menopausa também enfrenta problemas relacionados a desejo, excitação, orgasmo e dor durante a relação sexual.
Essas dificuldades tendem a ser causadas por uma combinação de fatores psicológicos, fisiológicos e interpessoais, incluindo depressão, ansiedade e funcionamento da musculatura do assoalho pélvico.
Estudos anteriores já haviam explorado os benefícios gerais do exercício físico para o bem-estar sexual, mas havia pouca pesquisa focada especificamente nos efeitos do pilates. A prática trabalha flexibilidade, postura, força do “core” e respiração. A atividade também tem sido associada à melhora no controle dos músculos do assoalho pélvico e em indicadores de saúde mental.
O estudo, publicado no periódico BMC Urology, incluiu 93 mulheres sexualmente ativas, na pré-menopausa, com idades entre 18 e 50 anos. Todas estavam em relacionamentos heterossexuais estáveis e monogâmicos, com o mesmo parceiro havia pelo menos três meses.
Para participar, as mulheres precisavam apresentar, no início, um escore no Female Sexual Function Index (FSFI, uma escala de afere prazer e função sexual) igual ou inferior a 26,55, o que é indicativo de disfunção sexual. Todas também tinham que ter uma frequência regular de atividade sexual. Foram excluídas mulheres com transtornos psiquiátricos, certas condições médicas ou causas anatômicas de disfunção sexual.
As participantes foram divididas em dois grupos. O grupo de intervenção participou do programa de pilates, enquanto o grupo controle manteve suas rotinas habituais. Ambos os grupos responderam a três questionários no início e novamente após 12 semanas: o FSFI, a Arizona Sexual Experiences Scale (ASEX) e o Beck Depression Inventory (BDI).
O grupo pilates participou de sessões de 60 minutos, duas vezes por semana, durante 12 semanas. Cada sessão incluía 10 minutos de aquecimento, 45 minutos de movimentos de pilates focados no "core" utilizando equipamentos e um breve resfriamento com exercícios de respiração. As aulas foram conduzidas por instrutores qualificados em estúdios dedicados, seguindo os princípios clássicos do pilates, com ênfase em movimentos controlados, concentração e respiração.
Um dos questionários avaliou diferentes aspectos da função sexual em seis domínios: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor. Outro analisou desejo sexual, excitação, lubrificação, capacidade de atingir orgasmo e satisfação com o orgasmo (escores mais altos indicam maior disfunção). O terceiro mediu sintomas de depressão.
No início, ambos os grupos apresentavam escores semelhantes em todos os questionários. Após 12 semanas, melhorias significativas foram observadas no grupo pilates, mas não no grupo controle.
As mulheres que participaram das sessões de pilates apresentaram progressos marcantes em todos os domínios: aumento do desejo, melhor excitação e lubrificação, maior capacidade de atingir orgasmo, mais satisfação e menos dor durante a relação. Em média, as melhorias ultrapassaram 95% em todas as categorias.
O grupo do pilates também apresentou escores significativamente menores nos sintomas de disfunção sexual. Da mesma forma, apresentaram diminuição dos sintomas depressivos.
Em contraste, o grupo controle (que não participou da intervenção com exercícios) não apresentou mudanças relevantes na função sexual nem nos sintomas de depressão no mesmo período.
Ao comparar os resultados dos dois grupos, os pesquisadores encontraram diferenças estatisticamente significativas, o que sugere que as melhorias observadas se devem ao pilates, e não a mudanças naturais ou fatores externos.
Esses resultados estão em linha com pesquisas anteriores que mostram que o treinamento dos músculos do assoalho pélvico e o suporte psicológico podem melhorar a função sexual feminina.
O pilates, como uma forma de exercício que ativa o assoalho pélvico e promove consciência corporal e foco mental, pode oferecer um duplo benefício – fortalece os sistemas físicos envolvidos na atividade sexual e, ao mesmo tempo, melhora o humor e o bem-estar emocional.
O estudo fortalece as evidências de que intervenções não farmacológicas podem desempenhar um papel importante na melhora da saúde sexual. Embora medicamentos e terapias sejam comumente usados no tratamento da disfunção sexual, exercícios como o pilates podem representar uma abordagem mais holística e acessível, especialmente para mulheres que não desejam recorrer a fármacos ou sofrem efeitos colaterais com esses tratamentos.
Os pesquisadores também destacam que dificuldades com o orgasmo podem gerar sofrimento psicológico, o que, por sua vez, perpetua a disfunção sexual. Esse ciclo de emoções negativas, evitação e baixa autoestima pode ser interrompido por intervenções que atuam tanto nos aspectos físicos quanto nos psicológicos, como o pilates.
Além disso, o estudo sugere que o pilates pode trazer benefícios para condições como a dispareunia (dor durante a relação sexual). Como a dispareunia geralmente está associada à tensão do assoalho pélvico e a desequilíbrios musculares, o fortalecimento e o controle muscular promovidos pela atividade podem ajudar a reduzir a dor e aumentar o conforto durante a atividade sexual.
O tamanho da amostra foi relativamente pequeno, por isso pesquisas futuras se beneficiariam de grupos maiores e mais diversos. O estudo também não considerou variações no ciclo menstrual, que podem influenciar humor e função sexual. Além disso, não foram avaliadas as características dos relacionamentos das participantes, apesar de a dinâmica interpessoal poder afetar a satisfação sexual.
Os pesquisadores ainda observam que não foi investigada a presença de síndromes ginecológicas dolorosas, como endometriose ou vulvodínia, que podem afetar a função sexual e a resposta a intervenções com exercícios. Estudos futuros poderão incluir uma avaliação de saúde mais ampla para controlar essas variáveis.
Fonte: PsyPost