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Masculinidade tóxica também é dizer: “Quando eu morrer terei tempo de dormir”

Jairo Bouer

30/09/2020 15:29




O presidente dos EUA, Donald Trump, costuma se gabar por dormir menos de quatro horas por noite. E ainda chama seu oponente, Joe Biden, de “Sleepy Joe” (“Joe sonolento”, em tradução livre) na atual campanha pela reeleição. Assim como Trump, muitos homens fazem o mesmo. Eles se orgulham em dizer que descansam pouco para passar a mensagem de que são fortes. Um estudo que acaba de sair no Journal of the Association for Consumer Research, alerta para os riscos desse estereótipo de masculinidade.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o americano médio dorme menos do que o mínimo recomendado, que é de 7 horas por noite, e os homens são maioria nessa estatística. Por aqui a situação não é muito diferente: a Associação Brasileira do Sono (ABS) tem alertado há anos sobre a redução das horas de sono, capaz de deflagrar transtornos mentais e metabólicos, entre muitos outros problemas.

Estereótipo de masculinidade

Pesquisadores da Universidade de Chicago conduziram 12 experimentos, que envolveram 2.564 participantes americanos, para demonstrar que o estereótipo de masculinidade relacionado ao sono existe mesmo. Com diferentes simulações e perguntas, eles descobriram que os homens encaram quem dorme mais como “menos masculino ou viril”. Como se sono de qualidade fosse um sinal de fraqueza, o que não faz o menor sentido.

Os experimentos também indicaram que os homens que dormem menos são vistos como mais masculinos e avaliados de forma mais positiva pela sociedade. Os mesmos padrões não foram observados de forma consistente quando mulheres eram avaliadas.

Crenças tóxicas

Os autores do estudo alertam que esse é mais um exemplo de masculinidade tóxica, já que homens que dormem menos também são considerados mais agressivos e violentos. Por isso, eles recomendam que a sociedade continue a desafiar essas visões tradicionais sobre o que é ser homem.

Até porque, independente do gênero, quem dorme bem tende a ser mais saudável, e, como alguns estudos sugerem, a ter uma vida sexual mais satisfatória.

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