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Calvície masculina: como tratar a alopecia androgenética

Nem todos os homens encaram a calvície com tranquilidade - Freepik
Nem todos os homens encaram a calvície com tranquilidade - Freepik

O termo alopecia designa algum grau de diminuição da quantidade de cabelos. No homem, a alopecia mais comum é a androgenética e afeta mais de 50% do público masculino acima dos 50 anos, podendo, entretanto, começar bem cedo, a partir dos 14 ou 15 anos de idade.

Fatores hereditários, ambientais e estilo de vida podem interferir na queda de cabelos nos homens; porém, sua principal causa está relacionada à produção do hormônio masculino, a testosterona.

Esse hormônio age no ciclo normal de crescimento dos cabelos, tornando os fios menores, mais finos (pelos velos) e mais claros. Em algumas áreas, pode, inclusive, interromper totalmente o crescimento capilar, com perda total dos fios nessas áreas. O sinal mais comum é a presença aumentada de fios nos travesseiros, no chão, além de escovas ou pentes.

A perda diária normal de fios, em um homem sem alopecia, gira em torno de 80 a 100 fios por dia. Porém, quando o problema se instala, o indivíduo nota o aumento desse número. Na maioria dos casos, a queda se inicia pelas têmporas (entradas), podendo acometer a coroa e/ou adquirir a forma de um M, abrangendo a região frontal da cabeça e evoluir para alopecia completa da região.

Fatores ambientais ou má qualidade de vida podem causar o estresse oxidativo (produção de radicais livres) e com isso aumentar ou desencadear o quadro de alopecia, devido a danos das células reprodutivas do folículo. Assim, poluição, excesso de ingestão de álcool, tabagismo, excesso de sol, sedentarismo ou excesso de atividade física, dietas desequilibradas, nervosismo e ansiedade são alguns fatores que podem contribuir para a piora do quadro.

Existe tratamento para alopecia adrogenética?

Em casos mais brandos, com pouca queda de fios, o tratamento tópico é o mais indicado. A substância mais utilizada é o minoxidil a 5%, que deve ser aplicada diariamente na área afetada com os cabelos secos. A massagem deve ser delicada para não quebrar os fios. É importante lembrar que, após aplicada a loção, deve-se esperar que o líquido seque totalmente antes de dormir, pois, caso o produto escorra na face ou orelhas, podem surgir pelos nessas regiões!

Se houver indícios de dermatite seborreica (couro cabeludo oleoso e/ou descamação), devem ser utilizados xampus específicos. A dermatite seborreica não leva à queda de cabelos, entretanto, a manipulação, como coçar ou querer arrancar as escamas, pode lesar o couro cabeludo e aumentar a queda por trauma mecânico.

Os nutracêuticos podem ajudar também nessa fase. São compostos, em geral, na forma de comprimidos, com várias vitaminas, antioxidantes, aminoácidos e biotina, que auxiliam a nutrição do folículo piloso, estimulando seu crescimento saudável.

Casos moderados podem se beneficiar com outra medicação oral: a finasterida. Originalmente indicada para tratar o crescimento prostático (hiperplasia da próstata), a finasterida é utilizada para o controle da queda capilar na dosagem de 1 mg ao dia.

Sua ação é a de bloquear a conversão da testosterona em dehidrotestosterona (DHT), derivado androgênico, que provoca queda dos fios a nível capilar. Assim, sua ação é a de repilar a área afetada e tornar as hastes dos fios mais grossas.

A associação finasterida + minoxidil tópico é o tratamento de escolha para a maior parte dos quadros de alopecia masculina. Contudo, a finasterida requer alguns cuidados, tanto do dermatologista, que irá prescrever a medicação, quanto do homem que fará uso dela.

Muito se comenta sobre os efeitos da finasterida na esfera sexual masculina, pois, a droga estaria relacionada com diminuição da libido, do volume de esperma e também impotência.

A relação entre esses sintomas com o uso da finasterida ainda não está totalmente comprovada por estudos científicos, portanto, o médico deve avaliar, por meio de um exame minucioso, e investigar no histórico do paciente a presença de algum grau de disfunção sexual, hipogonadismo, alterações do humor, como depressão, ansiedade ou relatos de infertilidade. Exames, como espermatograma e dosagem de testosterona sanguínea, podem ser úteis nesses casos e orientar melhor o profissional.

Outra medicação oral que está sendo bastante utilizada com bons resultados é o minoxidiloral. Para os homens, em geral, utiliza-se a dose de 2 mg a 2,5 mg ao dia. Entretanto, por se tratar de medicação anti-hipertensiva, é necessário cautela na sua prescrição. Procedimentos como o microagulhamento e lasers de baixa potência também são utilizados com resultados variáveis.

Com a alopecia estabelecida outra abordagem com ótimos resultados atualmente é o cirúrgico, por meio do transplante capilar.

Atualmente, a técnica mais utilizada e que confere resultados totalmente naturais é a FUE (Folicular Unit Extration). Ela é feita usando anestesia local e sedação, na maioria dos casos, e não exige internação. O paciente vai embora no mesmo dia. A técnica FUE  consiste na retirada e implantação de unidades capilares. O material é retirado através de pequenos instrumentos circulares de corte (punch), que retiram os folículos e não geram aqueles cortes grandes com enormes cicatrizes lineares que eram comuns no passado.

A média para se notar o crescimento dos fios novos é de três meses. Nos primeiros 30 dias após o transplante, os fios que foram implantados costumam cair, porém, o folículo está ativo e dará novos brotos capilares em até 90 dias. Os resultados visíveis e satisfatórios surgem em torno do 5º mês após a cirurgia de transplante e vão melhorando no decorrer dos meses, até estabilizar ao redor do 9º ou 10º mês.

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Lilian Akemi Ota

Lilian Akemi Ota

Médica dermatologista de São Paulo, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da American Academy of Dermatology. @lilian_ota