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Uso de máscaras afetou quem tem ansiedade social; entenda como

Algumas pessoas podem querer usar a máscara para além de evitar contágio
Algumas pessoas podem querer usar a máscara para além de evitar contágio - iStock

Redação Publicado em 21/06/2021, às 10h51

A pandemia tornou obrigatório o uso de máscaras para evitar a transmissão do coronavírus, porém, esse novo hábito trouxe algumas consequências. De acordo com um artigo, feito por pesquisadores do Departamento de Psicologia e do Centro de Pesquisa e Tratamento em Saúde Mental da Universidade de Waterloo, o uso de máscaras pode ter impactado na saúde mental das pessoas.

"Os efeitos adversos da pandemia nos resultados de saúde mental, incluindo ansiedade e depressão, foram bem documentados", disse David Moscovitch, professor de psicologia clínica e co-autor do artigo. “No entanto, pouco se sabe sobre os efeitos do aumento do uso de máscaras nas interações sociais, na ansiedade social ou na saúde mental geral”.

Segundo Moscovitch, é possível que muitas pessoas que não tinham ansiedade social antes da pandemia agora se sintam mais ansiosas do que o normal à medida que emergimos da pandemia para um futuro mais incerto – especialmente em situações sociais em que as habilidades sociais estão enferrujadas.

Mas o que é ansiedade social?

Esse é um quadro caracterizado por autopercepção negativa e medo de que a aparência ou o comportamento da pessoa não alcance as expectativas e normas sociais. O transtorno de ansiedade social é uma manifestação extrema que afeta até 13% da população.

Os pesquisadores revisaram a literatura existente abordando três fatores que eles acharam que poderia contribuir para a ansiedade social associada ao uso de máscara: hipersensibilidade às normas sociais, preconceito na detecção de pistas faciais sociais e emocionais, e propensão para se esconder como uma forma de comportamento de segurança.

"Descobrimos que o uso de máscara por pessoas com ansiedade social é provavelmente influenciado por sua percepção das normas e expectativas sociais, que podem ou não ser consistentes com as diretrizes de saúde pública e podem variar amplamente por região e contexto", disse Sidney Saint, principal autor do artigo.

O artigo também destaca que as pessoas com ansiedade social têm dificuldade em detectar pistas sociais ambíguas e tendem a interpretá-las negativamente. Esses indivíduos também tendem a se preocupar em não ser compreendidos ou parecerem estranhos. "Acreditamos que ambos os problemas provavelmente serão ampliados durante as interações com as máscaras", disse Saint.

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Outro impacto destacado é que as máscaras podem funcionar como um tipo de estratégia de auto-ocultação que permite às pessoas com ansiedade social esconder as falhas que acham que têm. Portanto, essa vontade de esconder-se pode motivar o uso de máscaras além do desejo de se proteger do vírus. “Por isso, as máscaras podem ser difíceis de serem descartadas por algumas pessoas, mesmo quando o uso da máscara não é mais exigido pelas autoridades públicas”, disse Saint.

Além disso, o artigo também mostrou que as pessoas com ansiedade social podem ser particularmente vulneráveis ​​a períodos de transição de normas, como o de agora, em que o uso da máscara está cada vez mais próximo de se tornar uma questão de escolha pessoal.

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