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Tatuagem sem erro: dermatologistas listam cuidados do estúdio ao sol

Alguns cuidados antes e depois da tatuagem não podem ser ignorados - iStock
Alguns cuidados antes e depois da tatuagem não podem ser ignorados - iStock

Redação Publicado em 31/01/2026, às 10h00

Fazer uma tatuagem é uma decisão que mistura arte, estilo e, muitas vezes, o registro de um momento importante. Mas para que o resultado fique incrível e sua saúde continue em dia, não dá para contar com a sorte.

Seja sua primeira ou sua décima tatuagem, existem protocolos de segurança que não podem ser ignorados. Batemos um papo com as dermatologistas Glauce Eiko e Karem Christine Corrêa e Silva, ambas integrantes da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) - Regional SP, para saber quais cuidados devem ser tomados para evitar problemas. Confira:

1. Como escolher o estúdio

Antes de “fechar” com o tatuador, você precisa avaliar uma série de questões para garantir sua segurança e qualidade do serviço. A maioria das complicações acontece por falhas de higiene e técnica.

  • Faça uma boa pesquisa: verifique a reputação do estúdio, buscando boas avaliações e recomendações de amigos ou familiares, e se o profissional possui licenças e formação adequada. 
  • Olho no ambiente: o lugar deve ser limpo, organizado e com superfícies laváveis. Cheiro de mofo ou sujeira aparente? Fuja!
  • Ritual do descarte: agulhas, biqueiras, luvas, máscaras e lâminas devem ser descartáveis e abertas na sua frente. Nada de reaproveitar material.
  • Esterilização: o estúdio precisa ter uma autoclave (aparelho que usa calor e pressão para matar microrganismos) para os materiais que não são descartáveis.
  • Sobre o profissional: ele deve ter treinamento em biossegurança e primeiros socorros, e observe se ele tem portóflios de trabalhos anteriores, licenças e formação adequada. Vale perguntar sobre complicações e como o tatuador lida com elas.
  • A tinta importa: os frascos devem ter lote, validade e registro. Uma dica de ouro: o tatuador deve colocar a tinta em "batoques" (copinhos individuais) e nunca voltar o que sobrou para o frasco original.

2. Preparando o terreno

Sua pele precisa estar pronta para o "trauma" da agulha.

  • Check-up da pele: evite tatuar áreas com acne inflamada, micoses, feridas ou sobre pintas (nevos). Tatuar em cima de uma pinta pode esconder um futuro câncer de pele, dificultando o diagnóstico.
  • Hidratação é tudo: nos dias anteriores, beba água e use hidratante. Pele hidratada cicatriza melhor.
  • Proteja-se do sol: é bom evitar a exposição ao sol intenso e queimaduras solares na área a ser tatuada.
  • Lei seca: evite álcool e drogas 48h antes. O álcool afina o sangue, o que aumenta o sangramento e atrapalha o trabalho do artista.
  • Saúde em dia: se você tem diabetes, doenças autoimunes, ou doenças de pele, como psoríase, vitiligo, dermatite atópica ou tendência a queloides (aquelas cicatrizes altas e endurecidas), converse com seu dermatologista antes. É importante considerar, também, se há histórico de alergia a metais, cosméticos, corantes ou henna negra.
  • Gravidez ou amamentação: embora não haja consenso, diretrizes desencorajam a realização de tatuagens nessa fase, devido ao risco de infecção e à falta de dados sobre a segurança dos pigmentos.

Seguindo essas orientações, você estará preparado para a experiência da tatuagem, minimizando riscos e promovendo uma cicatrização mais saudável.

Leia também: Conselho de Medicina proíbe anestesia para tatuagem 

3. No dia “D”

Sua documentação deve incluir uma ficha com histórico de saúde, alergias e uso de medicamentos, além de um termo de consentimento informado.

Observe se o profissional lava as mãos e troca as luvas entre as etapas, além de usar máscaras descartáveis. A pele deve ser higienizada e desinfetada antes de começar, e você deve verificar novamente se os materiais são descartáveis e abertos na sua frente. O ambiente deve ser livre de alimentos e lixos expostos. É uma minicirurgia, então o rigor deve ser o mesmo!

4. Pós: as primeiras 72 horas

A tatuagem é uma ferida aberta. O cuidado aqui define o resultado final.

  • O curativo: siga o tempo indicado pelo profissional (geralmente de 2 a 24 horas). Ao retirar, lave com água morna e sabonete neutro, sem esfregar. Seque com batidinhas suaves de uma toalha limpa, ou deixe secar naturalmente.
  • Evite mergulhos: por pelo menos menos 2 semanas, nada de mar, piscina, sauna ou banheira. A água parada é um convite para infecções.
  • Use roupas confortáveis: evite peças apertadas e ásperas que possam friccionar a área tatuada.
  • Pegue leve na malhação: é bom evitar suor excessivo nos primeiros dias.
  • Hidratação neutra: use pomadas cicatrizantes ou hidratantes neutros e hipoalergênicos (que têm baixo risco de causar alergia) várias vezes ao dia. Evite produtos com perfumes, álcool ou ácidos, que irritam a pele.
  • Regra de ouro: nada de coçar ou arrancar as casquinhas! Isso remove o pigmento e pode deixar cicatrizes.

5. Cuidados a longo prazo

  • Sol, o maior inimigo: enquanto a pele cicatriza (2 a 4 semanas), proteja a área com roupas. Depois de cicatrizada, o protetor solar (FPS 30 ou mais) é obrigatório. A radiação UV desbota o pigmento e pode causar reações alérgicas tardias.

Quando ligar o sinal de alerta?

As infecções, que podem ser bacterianas, fúngicas ou virais, são complicações comuns após a tatuagem, bem como alergias, por isso é preciso ter cuidado. É normal ter uma leve vermelhidão, descamação e coceira nos primeiros dias – isso faz parte da cicatrização normal. Mas procure um médico se notar:

  • vermelhidão que se espalha e calor intenso no local;
  • secreção com odor ou pus;
  • dor que só aumenta em vez de melhorar;
  • febre ou mal-estar;
  • endurecimento ou nódulos na área tatuada.

Atenção: algumas tintas são mais propensas a causar reações alérgicas ou granulomas (pequenos nódulos endurecidos). Se a tattoo começar a coçar ou ficar alta meses depois de feita, consulte um dermatologista.

Eventuais infecções podem ser tratadas com antibióticos, mas em alguns casos pode ser necessária internação. Queloides podem demandar tratamento com corticoides ou laser. Infecções como hepatites ou HIV podem ocorrer em estúdios não regulamentados.

Qualquer que seja o caso, notifique o estabelecimento, pois complicações podem indicar falhas na esterilização.

E se o arrependimento bater?

Nenhum método de remoção é 100% garantido ou indolor. Hoje, os lasers de picossegundo (como Nd:YAG e alexandrita) ou Q-switched são considerados os melhores: eles "explodem" o pigmento em partículas minúsculas para o corpo expulsar.

Mas é bom preparar o bolso e a paciência: nenhum método de remoção de tatuagem é 100% eficaz, podendo deixar vestígios ou alterações na pele. Além disso, no caso do laser, são necessárias de 6 a 10 sessões (ou mais), com intervalos longos. Cores como amarelo, verde e azul claro são as mais difíceis de apagar.

Outro método mais radical é a remoção cirúrgica, que consiste em retirar a pele tatuada e suturar, o que é útil para tatuagens pequenas, embora deixe uma cicatriz linear proporcional ao tamanho da área. Enxertos ou expansores cutâneos são reservados para casos muito específicos.

Dica final: tatuagem é para sempre, então não economize na segurança. Escolha o profissional pelo portfólio e pela higiene, não pelo preço!