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Jovens sofrem mais com solidão, mostra pesquisa

Jairo Bouer

27 de maio


Quem se sente mais só? Idosos ou jovens? Segundo um grande estudo, que contou com respostas de mais de 46 mil pessoas de 237 países, com idades entre 16 e 99 anos de idade, a solidão tende a diminuir à medida que as pessoas envelhecem. Isso mesmo que você leu.

A pesquisa, que fez parte de um experimento mundial conduzido pela rede britânica BBC, o “Loneliness Experiment”, foi realizada por estudiosos das universidades de Exeter, Manchester e Brunel, no Reino Unido. Os resultados acabam de ser publicados pela primeira vez num periódico científico, o Personality and Individual Differences.

As descobertas também mostram que homens, jovens e pessoas que vivem em sociedades consideradas mais individualistas, como o Reino Unido e os Estados Unidos, têm mais tendência à solidão que uma mulher idosa que reside em uma sociedade que prioriza mais o coletivo, como a China ou o Brasil (a classificação dos países foi feita com base no índice criado pelo pesquisador dinamarquês Geert Hofstede).

Os dados deixam claro que a solidão depende mais da expectativa que as pessoas têm em relação às conexões sociais, do que da quantidade de pessoas com quem se relacionam. E aí é que entram questões como cultura, estigmas e idealizações.

Ao analisar diferenças de gênero, os pesquisadores perceberam que os homens têm mais vergonha de admitir que se sentem solitários que as mulheres. Mas, quando a sensação era medida sem que usassem o termo “solidão”, especificamente, os resultados indicavam que eles é quem se incomodam mais. O mesmo fenômeno é observado em países que valorizam a autonomia e a auto-suficiência.

Os autores do estudo chamam atenção para os impactos que as medidas de distanciamento social impostas pela covid-19 podem ter para os mais novos, ainda que a pandemia cause maior preocupação entre os mais velhos, que também costumam ter mais doenças crônicas.

Entender por que adolescentes e adultos, que muitas vezes estão no auge da paquera e da vida social, podem se sentir solitários apesar dos contatos na escola, no trabalho e nas redes sociais pode trazer insights importantes para se evitar transtornos emocionais. Para os pesquisadores, a tecnologia precisa ser mais encarada como extensão, e não substituição, dos relacionamentos.

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