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Jovens LGBTQ querem acesso a serviços de saúde mental, mas não conseguem

Jairo Bouer

20 de agosto


Uma grande pesquisa norte-americana alerta para uma realidade que não é exclusiva daquele país: a maioria dos jovens LGBTQ quer acesso a tratamentos para saúde mental, mas não consegue. As principais barreiras para o acesso são custo, permissão dos pais e estigma.

Existem evidências claras de que a população que não se identifica como heterossexual é mais vulnerável a transtornos como ansiedade, depressão, abuso de substâncias e até ao suicídio, por causa do constante estresse causado por situações de bullying, preconceito ou conflitos com a família.

Um estudo publicado no ano passado, por exemplo, mostrou que a rejeição familiar triplica o risco de indivíduos transgênero tentarem acabar com a própria vida, além de levar muitos a abusarem de álcool ou drogas.

A pesquisa atual, conduzida pelo The Trevor Project, uma organização focada na prevenção do suicício entre jovens de minorias sexuais, mostra que 84% deles gostariam de ter acesso a cuidados de saúde mental. O trabalho contou com mais de 40 mil indivíduos LGBTQ com idades entre 13 e 24 anos.

Entre a maioria interessada em obter atendimento, mais da metade disse que o custo era um fator proibitivo. E um terço afirmou que não queria pedir permissão para os pais (muitos estados norte-americanos exigem consentimento de pais ou responsáveis para tratar menores de 18 anos).

O relatório mostra que, para os jovens, envolver os pais na busca por um psicólogo ou psiquiatra significaria ter de revelar sua sexualidade ou identidade de gênero. Muitos ainda não estão prontos para dar esse passo, e, às vezes, precisam de auxílio de um profissional justamente para isso. Mas quase um quarto também comentou que temia ser denunciado para os familiares.

A pesquisa foi concluída em março, antes que a Covid-19 levasse a medidas de isolamento generalizadas. Os representantes da organização ressaltam que a pandemia trouxe ainda mais barreiras para os jovens LGBTQ, já que muitos só obtêm aconselhamento de profissionais das escolas e universidades.

Além disso, o isolamento social só aumentou a necessidade de apoio psicológico para muita gente, ainda mais para quem vive com uma família que rejeita sua identidade. Os pesquisadores ressaltam a importância de os jovens terem acesso a serviços por videoconferência sem a necessidade do consentimento dos pais.

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