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Adolescente que se corta: como ajudar?

Jairo Bouer

16/10/2020 14:43




Veja a dúvida enviada há algumas semanas para mim pela Nina:  “Doutor, tenho percebido minha irmã de 16 anos bem mais para baixo desde o começo da pandemia. Ontem eu notei alguns cortes na pele dela que ela tenta esconder e não mostrar para ninguém, ela não está feliz nunca. Eu conto isso para minha mãe?”

A pergunta é superimportante, pois, muitas vezes, são os irmãos ou os amigos os primeiros a descobrir que alguém está se machucando. Isso tem acontecido com uma frequência maior há alguns anos, e pode ter se agravado durante a pandemia, por causa do isolamento social.

Sintal de alerta

Esses cortes na pele são um sinal de alerta. Eles sinalizam que a pessoa não está lindando bem com a ansiedade e outras emoções negativas. É como se a dor física pudesse, de alguma forma, substituir uma dor emocional ou uma sensação de vazio existencial.

Pesquisas têm apontado uma forte associação entre automutilação e suicídio, por isso o comportamento deve ser visto como um tipo de pedido de socorro, ainda que a intenção da pessoa, naquele momento, não seja se matar.

Um complicador é que, à medida que mais jovens se machucam e, muitas vezes, mostram essas marcas nas redes sociais como um pedido de ajuda, existe um “efeito contágio”, e outras pessoas passam a fazer a mesma coisa.

Recomendações

Minha recomendação para a Nina foi, em primeiro lugar, tentar conversar com a irmã e oferecer ajuda. Também disse que dividir isso com os pais ou com algum adulto de confiança pode ser necessário, ainda que a jovem esteja tentando manter segredo. Muitas vezes é preciso recorrer a um profissional de saúde, como o médico da família ou um psicólogo.

Em situações de emergência, o conselho é ligar para o SAMU (192), ou levar a pessoa para um pronto-socorros, hospital ou uma UPA 24H.

Lembro que o CVV  (www.cvv.org.br) oferece atendimento gratuito e sigiloso, e também conta com muito material de apoio para quem quer ajudar alguém em dificuldade.

 

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