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Precisa mesmo emagrecer ou ficar grande?

Jairo Bouer

22/06/2020 21:50




Muitos homens e mulheres fazem esforço e até adotam comportamentos de risco para ter um corpo perfeito. Enquanto eles querem ser mais musculosos, elas lutam para não engordar. De onde vem essa necessidade? Para a maioria, do desejo de atrair o sexo oposto. Mas será que elas gostam mesmo de caras grandões? E eles preferem as mais magras?

Um pequeno estudo feito no Reino Unido sugere que homens e mulheres têm percepções bem imprecisas sobre o que o sexo oposto acha atraente num parceiro. Os resultados, publicados no British Journal of Psychology, mostram que elas supervalorizam a ideia de magreza e eles, a de masculinidade. Ainda mais quando se pensa em relacionamentos de curto prazo.

Participaram do experimento 169 jovens heterossexuais de 17 a 26 anos de idade. Eles foram convidados a manipular imagens de corpos femininos e masculinos com um aplicativo que permitia alterações no índice de massa corporal (IMC) e nos percentuais de gordura. Com a ferramenta, os participantes apresentaram seu tipo ideal de corpo e o tipo que, para eles, o sexo oposto acharia ideal para um relacionamento de curto ou de longo prazo.

O resultado você já sabe: elas acham que eles adoram as magrinhas, o que não bateu com a realidade, e eles acham que elas amam músculos, o que também não se confirmou. Nem homens, nem mulheres mostraram diferenças significativas em suas preferências quando questionados sobre relacionamentos de curto ou de longo prazo.

Essa percepção equivocada de que homens preferem as mais magras é algo que já foi bastante associado ao risco de transtornos alimentares graves, como anorexia e bulimia nervosa. Quanto maior a discrepância entre a expectativa e a realidade, maior a frequência de atitudes prejudiciais à saúde, como fazer jejuns absurdos ou provocar vômito depois de comer.

A gente sabe que a obsessão de muitos homens por bíceps volumosos e peitoral largo também não é nada saudável. Para ter um corpo de fisiculturista, é preciso seguir uma rotina exaustiva de exercícios e alimentação regrada, algo que não é muito viável para alguém que trabalha ou estuda. E então vem a tentação de apelar para estratégias perigosas, como usar anabolizantes e ter efeitos colaterais como calvície, infertilidade e até câncer.

Evolutivamente, quando vagávamos pelas savanas africanas em busca de garantir alimentos, defesa contra os inimigos e a perpetuação da espécie, como fazem todos os outros animais, talvez a força no homem e a gordura (sim, formas mais arredondadas) nas mulheres fosse um sinalizador indireto de fertilidade e garantia de saúde da prole.

Mas desde que passamos a viver em grupos sociais mais complexos, esse peso da “evolução” perdeu espaço e passaram a contar fatores como cultura, moda, influência da mídia, pressão dos pares, com força ainda maior a partir do acelerado desenvolvimento tecnológico.

É sempre bom lembrar que não convém reduzir poder de atração a aspectos físicos e estéticos (com valores, muitas vezes, “importados” de uma imagem idealizada). Sem o olhar, o humor, o bom papo, os interesses em comum, o jogo da conquista fica muito mais pobre. Não acha?

* Do UOLVivaBem

 

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