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Ela detesta receber sexo oral, ele adora fazer: como resolver a questão?

Jairo Bouer

12/10/2020 14:46




Uma dúvida sobre sexo oral enviada nos últimos dias gerou uma polêmica interessante no meu perfil do Instagram. Um leitor conta que adora fazer sexo oral na mulher, com quem é casado há quase 30 anos, mas ela não curte. Ele desconfia que, na verdade, ela odeia a prática, e pedia uma dica para resolver a questão.

Eu explicava que o ideal seria conversar abertamente sobre as expectativas dos dois para tentar uma mediação, mas que se ela não quisesse mesmo rever sua posição, havia pouco a fazer.

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Crédito: Pixabay

As opiniões dos seguidores foram bem divergentes. Algumas sugerem que se uma pessoa não gosta de algo no sexo, isso precisa ser respeitado e ponto final. “Não faz nada. Não gosta, não gosta”, diz um dos comentários.

No outro extremo, há mulheres surpresas com a ideia de alguém não curtir que o parceiro faça sexo oral nela: “Não sabe o que está perdendo!”, exclama uma seguidora. “É essencial num relacionamento!”, declara outra.

Claro que no meio do caminho há sempre aquelas opiniões extremas, do tipo “troca de mulher”. Mas também há os que sugerem uma conversa para entender melhor o que pode estar incomodando no sexo oral.

Gosto é gosto

É interessante observar que essas divergências valem para quase tudo no sexo. Algumas pessoas simplesmente não curtem penetração anal, por exemplo. Sentem dor, nojo ou incômodo, mesmo com uso do lubrificante.

Outras acham absurdo o(a) parceiro(a) sugerir uma depilação completa. Até um beijo diferente, mais violento, pode tirar o outro do clima.

Gosto é gosto. As preferências no sexo são construídas ao longo das nossas experiências ao longo da vida, inclusive aquelas que a pessoa tem sozinha, durante a masturbação ou enquanto fantasia. Uma educação mais conservadora, ou repressora, pode interferir nessas reações e escolhas, também.

Nesse caso específico que o leitor trouxe, há poucas informações disponíveis sobre as causas da divergência de gostos e preferências, mas fica implícito que a intimidade de 30 anos não foi suficiente para encurtar algumas distâncias, o que pode acontecer com muitos casais.

Há muitas hipóteses. Uma postura mais rígida da mulher quanto ao que pode ou não ser feito entre o casal para ter prazer. Há mulheres, também, que se preocupam tanto com o que o parceiro pode achar do cheiro ou da aparência, ali embaixo, que não conseguem relaxar nessa hora. Pode ser que ele “erre” na intensidade do estímulo causando mais desconforto do que um gatilho para o desejo. E ainda pode ser pura questão de prazer, mesmo: algumas mulheres curtem tanto a penetração, que não têm muita paciência para o que acontece antes” ou “lá fora”.

Conversar é o caminho

Conversar sobre isso é sempre o melhor caminho. Por quê? Pode ser que o parceiro esteja fazendo pressão demais ou de menos, por exemplo. Ou pode ser que a região estimulada não é a que desperta mais prazer na mulher. Quem sabe incluir um outro tipo de estimulação, ou até um brinquedo erótico, na brincadeira não resolva? Ou ainda discutir o que inibe ou deixa a mulher constrangida na hora do ato? Com experiências e ajustes, pode até ser que o sexo oral se torne desejável para ela. E mais: se até conversar sobre isso é difícil para um casal, pode ser que exista um problema de relacionamento mais abrangente.

Óbvio que os limites de cada um precisam ser respeitados, também. Se o casal já conversou, já tentou variações, e o sexo oral continua sendo um incômodo para a parceira, algo que até corta a excitação dela no meio da relação, aí não tem jeito. É preciso que o marido ceda também. Toda relação envolve algumas concessões, de ambas as partes. E sexo oral é apenas uma das inúmeras possibilidades do repertório de intimidade e de prazer que um casal pode experimentar.

O bom de ter intimidade com alguém é poder discutir tudo isso, tentar inovar, voltar a conversar, e então decidir em conjunto o que é melhor para os dois. E intimidade, vale lembrar, vai muito além de viver junto com alguém por mais de 30 anos! É um processo dinâmico que envolve uma profundidade e uma complexidade muito maiores. Já numa relação casual, é preciso ter sensibilidade e prestar muita atenção ao sinais e reações do outro para não ultrapassar o sinal vermelho.

(Este texto foi extraído da Coluna do Jairo Bouer no UOL)

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