Doutor Jairo
Leia » Maternidade

Durante a pandemia, 68% das mães tiveram sintomas depressivos

Mães mais pobres e com sintomas depressivos foram as que mais tiveram problemas com os filhos
Mães mais pobres e com sintomas depressivos foram as que mais tiveram problemas com os filhos - iStock

Redação Publicado em 25/03/2021, às 16h52

Ser mãe durante uma pandemia não é fácil. Estudos que acompanharam mulheres brasileiras e suas famílias durante os períodos de isolamento social mostram que 63% das mães tiveram sintomas depressivos, 78% delas relataram sentimentos de desconforto com o coronavírus e 34% tiveram sentimentos negativos, como medo, angústia, ansiedade e insegurança.

Os dados foram divulgados pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, uma instituição voltada para a primeira infância, que apoiou algumas pesquisas sobre o comportamento de mães e filhos durante a pandemia

Além do sofrimento ligado a todas as preocupações com o coronavírus, metade delas ainda teve de enfrentar situações difíceis com os filhos durante o período de distanciamento social. Ao todo, 29% contaram que os filhos apresentaram problemas de agitação, birra e bagunça e 23% sofreram com desajuste à nova rotina diária. 

Dentre 41% das mães que reclamaram da dificuldade em lidar com os filhos durante a pandemia, aquelas que tiveram sintomas depressivos e as que recebiam Bolsa-Família, ou seja, as mais pobres, foram as que sofreram mais, de acordo com os resultados.

A pesquisa também mostrou que ver televisão com os filhos (94%), brincar (77%) e cantar com eles (65%) foram algo frequente para a maioria das mães, durante o isolamento social. Mas apenas uma pequena parcela das mães relatou ler (27%) ou praticar exercícios físicos junto com os filhos (22%).

Um dos estudos contou com profissionais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP/Laboratório de Pesquisa em Prevenção de Problemas de Desenvolvimento e Comportamento da Criança.

Consequências da pandemia

Em março, o Brasil completa um ano desde que começou sua quarentena. Contudo, no momento, mesmo com a vacina disponível, o cenário ainda está longe do ideal. Com recorde de mortes diariamente, o país segue em confinamento e observa a insatisfação dos cidadãos.

O sentimento negativo das mães, por exemplo, não foi o único resultado que esse período trouxe. Uma outra pesquisa, realizada pela Hibou (empresa especializada em pesquisa e monitoramento de mercado e consumo) analisou 2.250 brasileiras de todos os níveis de renda e faixas etárias, entre 24 de fevereiro e 2 de março de 2021, e mostrou que a principal queixa de 69% das entrevistadas é referente à maior quantidade de trabalho durante a pandemia.

De acordo com  a pesquisa, 41% das mulheres convivem com a insônia por conta de todas as responsabilidades. 

Os dados mostraram ainda que, em função da rotina abusiva que envolve jornadas duplas e, até mesmo, triplas, 9% das entrevistadas precisaram pedir demissão ou se afastar do trabalho para dar conta de todos os afazeres. 

E como os jovens estão lidando com a pandemia?

Eles são os que mais estão sofrendo com o momento. O medo, a mudança da rotina, o distanciamento da escola e dos amigos impactaram profundamente a saúde emocional desses jovens. E vai demorar um tempo, ainda, para que as coisas voltem a ser como antes. 

De acordo com um estudo feito na Universidade de Bristol e divulgado no British Journal of Psychiatry, a proporção de jovens com ansiedade dobrou, passando de 13% para 24%, durante o primeiro lockdown imposto pela pandemia de Covid-19 no Reino Unido. 

Veja mais: