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Dia Internacional da Mulher: mais saúde para todas!

Jairo Bouer

8/03/2020 18:17




No Dia Internacional da Mulher, além de celebrar a data, é importante uma reflexão sobre o que poderia ser feito para garantir mais saúde e qualidade de vida para elas aqui no Brasil.

Dados do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE) mostram que mulheres vivem mais que homens. A expectativa de vida ao nascer, em 2019, para as mulheres era de cerca de 80 anos. Para os homens, 73 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta diferença similar, com 5 anos de vida a mais para as mulheres. Genética, hormônios, comportamento e hábitos de vida ajudam a explicar essa maior sobrevida feminina.

Mas não basta viver mais, há que se viver bem. E aí que entra uma série de questões que precisam ser colocadas na lupa. A realidade das mulheres mudou muito no país nas últimas décadas. Hoje, a maior parte delas enfrenta o que chamamos de “dupla jornada de trabalho”. Além do trabalho (formal ou informal), ainda recaem sobre seus ombros as ocupações domésticas e a maior parte do cuidado com os filhos, sem contar o número crescente de mulheres que chefiam lares, sem qualquer forma de suporte ou ajuda.

Essa sobrecarga interfere na saúde emocional e física. Com o acúmulo de tarefas fica mais difícil cuidar da nutrição, atividade física e obesidade, além dos controles como no caso do diabetes e da hipertensão. Não é à toa que as principais causas de morte entre mulheres seguem sendo as doenças cardiovasculares.

Esse estresse e estilo de vida menos saudável, aliados a uma cobrança bastante desigual sobre a aparência e o padrão de beleza, também impactam a saúde mental das mulheres. Os quadros de ansiedade e depressão têm frequência superior à dos homens, e vêm aumentando de forma preocupante. Mesmo entre as garotas, essa diferença é assustadora. As tecnologias, principalmente as redes sociais, têm potencializado esse fenômeno.

Viver em situação de tensão permanente também é um fator de piora da saúde física e mental. Questões banais e óbvias para os homens (como entrar em um elevador com um estranho) pode ser uma situação de ameaça e medo para muitas mulheres. Esse é um importante agravante para a qualidade de vida.

Outra questão central é o nível de violência a que essas mulheres têm sido submetidas no seu dia-a-dia. Os números de casos de violência física, assédio sexual e feminicídio atestam essa triste realidade. Em grande parte, essas agressões são praticadas dentro de suas próprias casas, por companheiros ou ex-companheiros.

Para pensar em uma mudança nesse cenário, além das ações em saúde pública específicas para mulheres, principalmente para aquelas mais vulneráveis, é fundamental centrar na questão da educação de garotos e garotas sobre como as questões de gênero recaem pesadamente sobre a vida das mulheres. Dessa forma, eles podem ser sensibilizados a pensar em como reduzir essas disparidades e reduzir os agravos à saúde feminina. Educação essa que se faz em casa, na escola e na mídia. É através da percepção e reflexão dessa realidade que podemos imaginar um futuro com mais saúde para as próximas gerações de mulheres e, claro, dos homens também.

*Texto extraído do Blog do Jairo Bouer no UOL

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