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Lady Gaga, Selena Gomez e a dor de conviver com doenças crônicas

Jairo Bouer

14 de outubro


Lady Gaga (à esq) e Selena Gomez (à dir) expõem seu drama nas redes sociais (Reprodução/Instagram e Twitter)
Lady Gaga (à esq) e Selena Gomez (à dir) expõem seu drama para o público com posts  nas redes sociais (Reprodução/Instagram e Twitter)

Duas doenças crônicas que envolvem dor ganharam destaque nos últimos dias por causa de duas celebridades: a fibromialgia, que fez a cantora Lady Gaga cancelar a participação no Rock in Rio, e o lúpus, a doença autoimune que levou a atriz e cantora Selena Gomez a fazer um transplante renal. Figuras públicas, elas aproveitaram a oportunidade para chamar a atenção das pessoas para essas condições, que são pouco conhecidas e podem afetar indivíduos de todas as idades e de ambos os gêneros, apesar de mais comuns em mulheres.

Num documentário que estreia nesta sexta-feira (22) sobre Lady Gaga, a popstar aparece com dores no corpo, o sintoma mais característico dessa síndrome, que está presente em cerca de 2 a 3% da população brasileira e costuma surgir entre os 30 a 35 anos. Os pacientes têm a sensação de que tudo dói: os músculos, as articulações, a cabeça e às vezes até a pele. Além disso, há muita fadiga, que não melhora com descanso, e metade das pessoas desenvolve depressão ou ansiedade. Além de tomar os remédios prescritos pelo reumatologista, fazer exercícios de baixo impacto é fundamental para aliviar a dor, por mais difícil que seja a princípio.

A questão é que não existe um exame que determine o diagnóstico – ele depende apenas da queixa do paciente, como esclarece o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia Georges Christopoulos: “Não há nenhum teste positivo”. Por isso, quem sofre de fibromialgia pode ouvir dos outros o velho clichê “está tudo na sua cabeça”. A própria cantora diz, na sua página no Twitter, que espera aumentar a consciência sobre a síndrome com o documentário, e quem sabe um pouco desse estigma diminua daqui pra frente.

Já no caso do lúpus, doença autoimune que afeta cerca de 65 mil brasileiros, algumas alterações características nos exames de sangue e urina ajudam a definir o diagnóstico, junto com os sintomas, que podem incluir cansaço, falta de apetite, febre baixa, dores fortes nas articulações, alterações neuropsiquiátricas e nas células do sangue, inflamação nas membranas que recobrem o pulmão e o coração, e também nos rins. Esse último é um dos sintomas que mais preocupa, pois pode ser assintomático no início, e acabar levando à insuficiência renal. O órgão deixa de funcionar e o paciente precisa fazer diálise ou receber um transplante, como foi o caso de Selena Gomez. A doadora foi uma amiga, a também atriz Francia Raisa – a foto de ambas, no hospital, foi publicada no Twitter.

Se enfrentar essas doenças é penoso para qualquer paciente, independente de sua condição socioeconômica, o desafio pode ser maior para quem depende de recursos do governo. Existem tratamentos medicamentosos eficazes para o lúpus disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde) e alguns, poucos, para fibromialgia, mas não sem obstáculos. Recentemente, muitos pacientes com lúpus ficaram sem um imunossupressor, o micofenolato, segundo a SBR. “Essa substância só é entregue em alguns locais; o Ministério ainda não distribui para todo o país”, comenta Georges Christopoulos. “Seria importante que os pacientes cobrassem do governo atualizações nos protocolos de tratamento e atualização das medicações fornecidas”, defende o reumatologista. Quem sabe a repercussão estimulada pelas celebridades sirva de ajuda.

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