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O que atiradores de escola têm em comum, segundo estudo norte-americano

Jairo Bouer

14 de outubro


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O que garotos envolvidos em tiroteios em escolas têm em comum? Um estudo conduzido nos Estados Unidos com 31 jovens que protagonizaram esse tipo de crime entre 1995 e 2015, e publicado nesta quinta-feira (20), traz informações que fazem a gente refletir, depois de assistir a um episódio como o do Colégio Goyases, em Goiânia.

A principal questão levantada pelos pesquisadores é que todos esses garotos lutavam para viver de acordo com o que era percebido como ideal de masculinidade na escola: ser durão, popular e tirar sarro de comportamentos que seriam típicos de garotos afeminados.

Socialmente rejeitados, e vítimas de bullying, esses jovens desenvolveram um rancor profundo por colegas de classe e professores. Com o tempo, foram ficando cada vez mais irritados, deprimidos e violentos, até culminarem com o tiroteio.

A análise da equipe, liderada pela pesquisadora Kathryn Farr, da Universidade Estadual de Portland, sugere que o status social de garotos do ensino médio e secundário é determinado, em grande parte, pela aceitação dos pares com base no que é considerado “adequadamente masculino”.

É importante ressaltar que as questões levantadas pelo estudo, publicado no periódico Gender Issues, não têm a ver, necessariamente, com orientação sexual, mas com estereótipos. Dos 31 atiradores norte-americanos, 30 se declaravam heterossexuais. O que acontece é que existe um conjunto de regras de comportamento esperado para os meninos e, quem não se enquadra, por qualquer que seja o motivo, é visto como inadequado e vira vítima de bullying.

A maioria dos autores do crime foram repetidas vezes chamados publicamente de “gays”, “maricas”, “bebês” ou “chorões”. Todos eles foram “conscientizados de suas falhas” por outros garotos, sofreram rejeição por parte das garotas e isolamento, em geral. Alguns deles afirmaram até terem sido vitimados física ou sexualmente pelos pares masculinos.

Os garotos analisados enxergavam essas reações como injustas e imerecidas. Levar armas para a escola ou apresentar textos e desenhos violentos em sala de aula eram formas de enfatizar o estereótipo masculino. E todos eles se orgulhavam dos planos que criaram para os ataques.

Entre os 31 garotos, dez tinham histórico de problemas psiquiátricos, enquanto outros dez haviam sido criados por famílias extremamente abusivas, segundo os pesquisadores. Os onze restantes apresentavam uma tendência a reagir de forma inadequada e exposiva quando se sentiam injustiçados.

Os pesquisadores acreditam que ter um espaço na escola para discutir esses estereótipos de masculinidade poderia ajudar a evitar o bullying, ainda que crimes desse tipo sejam injustificáveis. Eles alertam, também, para o risco de achar que qualquer adolescente problemático seja um potencial atirador.  Mesmo nos Estados Unidos, comportamentos desse tipo são uma exceção.

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