Transtorno após evento traumático multiplica risco de suicídio, diz estudo

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Um grande estudo realizado no Reino Unido revela que quase um em cada 13 adultos jovens apresenta sintomas de transtorno de estresse pós-traumático, uma condição que se desenvolve após a pessoa sofrer algum tipo de trauma e que aumenta consideravelmente o risco de outros problemas, como depressão, abuso de substâncias e suicídio.

O estresse pós-traumático pode ser caracterizado por uma série de manifestações, sendo que as principais são pensamentos intrusivos relacionados ao evento, pesadelos, insônia, hipervigilância, sentimentos de culpa, isolamento e dificuldades de concentração, entre outros.

É comum esses sintomas ocorrem logo após uma situação traumática, como ser vítima de violência, abuso ou doença grave. Mas quando eles duram mais de um mês, ou seja, são crônicos e causam prejuízos para a vida da pessoa, é preciso buscar ajuda do médico, psiquiatra ou psicólogo.

A pesquisa envolveu mais de 2.000 jovens de 18 anos nascidos na Inglaterra e no País de Gales. Dentre os 8% que tinham o transtorno, apenas um em cinco já tinha recebido algum tipo de ajuda profissional. Três em cada quatro tinham pelo menos um outro transtorno mental diagnosticado.

Os pesquisadores alertam que mais da metade dos indivíduos com estresse pós-traumático tinha histórico de depressão e um quinto tentou suicídio por volta dos 18 anos.

A principal causa de trauma foi algum evento que afetou uma pessoa próxima, como pai ou mãe. A segunda causa mais comum foi abuso ou bullying enfrentados pelo jovem e, em terceiro lugar, doença ou acidente.

Quanto mais cedo o trauma, maiores os prejuízos para o desenvolvimento, porque as crianças mais novas têm menos recursos internos para lidar com os acontecimentos. Alguns dos participantes do estudo inclusive não se lembravam do evento traumático.

A análise mostra que, em comparação com jovens sem estresse pós-traumático, aqueles com o transtorno apresentam um risco oito vezes maior de desenvolver sintomas psicóticos e dependência de drogas. Além disso, eles são seis vezes mais vulneráveis à depressão e têm cinco vezes mais risco a desenvolver transtorno de ansiedade generalizada.

Outros dados preocupantes obtidos pelos pesquisadores: os jovens com o transtorno têm um risco dez vezes maior de tentar suicídio, oito vezes maior de se automutilar, e são três vezes mais propensos a cometer crimes violentos.

Os pesquisadores perceberam que os principais fatores de risco para ter o transtorno foram ter sofrido abuso ou violência na infância, ser do sexo feminino e vir de estratos socioeconômicos mais baixos.

O estudo, que é considerado um marco nessa área, chama atenção para a importância de se diagnosticar e tratar corretamente o transtorno do estresse pós-traumático nos jovens. Muitas famílias podem achar que os sintomas vão melhorar com o tempo, mas a tendência é que outros quadros se desenvolvam a partir desse, e a situação fique ainda mais difícil de ser controlada. O recado é importante para o nosso país, que tem níveis ainda mais altos de violência.