Timidez patológica aumenta risco de alcoolismo, confirma estudo

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Há tempos que a ansiedade tem sido associada a problemas com a bebida. Mas, segundo um estudo publicado esta semana no periódico científico Depression and Anxiety, a ansiedade social (também conhecida como timidez patológica) é o tipo que que mais tem ligação com o alcoolismo.

O trabalho, feito com 2.800 gêmeos noruegueses, indica que o indivíduo que bebem para ficar mais comunicativo e ter mais sucesso na busca por parceiros são os tipos de ansiosos mais propensos a se tornar dependentes.

Os pesquisadores, liderados por Fartein Ask Torvik, do Instituto Norueguês de Saúde Pública, acreditam que estimular o tratamento da ansiedade social é uma forma de agir na raiz de muitos casos de uso problemático de álcool, além de diminuir o sofrimento causado pelo transtorno, é claro.

Apesar da proibição da venda de álcool para menores de idade, os jovens continuam a beber, e cada vez mais cedo. No Brasil, estudos mostram que metade dos garotos e garotas de 12 a 17 anos de idade já usaram álcool pelo menos uma vez na vida. Entre estudantes de 13 e 15 anos, 21% já tiveram algum episódio de embriaguez.

Os autores do estudo norueguês chamam atenção para o fato de que boa parte dos adolescentes com o transtorno não trata a ansiedade social. Uma das maneiras mais eficazes de combater o problema é um tipo de terapia cognitivo-comportamental que envolve a exposição a situações que causam medo. É um trabalho feito aos poucos, com respeito aos limites do paciente. Em casos mais graves, o uso de antidepressivos pode ajudar.

Vale lembrar que muitos jovens com ansiedade social também apresentam sintomas depressivos, ou sofrem de depressão mais tarde, como sugeriu uma pesquisa mais antiga, divulgada no Jama Psychiatry. Nela, pesquisadores acompanharam mais de 2.500 adolescentes alemães por até cinco anos. E a depressão é outro problema que pode abrir portas para o abuso de álcool.

Ainda são necessários mais estudos para descobrir se existe algum fator de predisposição em comum para ansiedade social, depressão e alcoolismo. Mas não há dúvida que a dificuldade de se comunicar, de relaxar na frente dos outros e até mesmo de apresentar um trabalho na escola gera uma enorme sensação de impotência e baixa autoestima. Ajudar um adolescente a vencer o transtorno pode fazer com que ele tenha mais sucesso na vida e procure menos soluções rápidas, e perigosas, para vencer suas limitações.