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O melhor é beber menos. E mais tarde

Jairo Bouer

14 de outubro


Uma única taça de vinho ou copo de cerveja aos 14 anos pode aumentar o risco de um jovem começar a tomar porres ainda na adolescência. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, com 2 mil adolescentes, publicada na revista britânica Nature.

Começar a beber cedo é um dos fatores que, combinado com outros, como traços de personalidade, tamanho do cérebro, história familiar ou carga genética, conseguem dar um prognóstico confiável das chances de um jovem vir a praticar o que os especialistas chamam de binge drinking (beber grande quantidade de bebida num curto intervalo de tempo). Esse é o padrão de consumo que mais expõe os jovens a riscos.

Os pesquisadores criaram um modelo matemático, desenvolvido por análises de computador, que combina esses fatores e consegue prever com 70% de acerto a chance de um jovem começar a beber de forma exagerada ainda antes dos 16 anos.

É provável que dar os primeiros goles aos 14 anos revele algumas características de personalidade dos jovens, como impulsividade ou gostar de se arriscar. Elas podem ter um peso importante em seu comportamento e na forma de se relacionar com a bebida. Como esse período da vida traz uma vulnerabilidade maior, os especialistas acreditam que, se o primeiro gole fosse adiado em seis meses ou um ano, a chance de abusos de álcool aos 16 anos diminuiria de forma considerável.

É bom lembrar que, no Brasil de hoje, apesar da restrição da venda de bebida antes dos 18, a maioria dos jovens que bebem tem feito suas primeiras experiências com álcool ainda antes dos 15. Não é incomum que boa parte deles passe a beber de forma regular ainda na adolescência. Um grupo menor passa a  tomar porres com frequência. Sabe-se, também, que o abuso do álcool nessa fase da vida aumenta o risco de o adulto vir a apresentar quadros de dependência.

Outros dois trabalhos de fôlego, publicados recentemente, sugerem que os mais velhos deveriam pôr um pé no freio e reduzir o consumo de álcool. Um deles, realizado pela Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical, publicado no British Medical Journal, mostra que mesmo aquelas duas taças de vinho ao dia, recomedadas até pelos médicos, podem não ser tão inocentes.

Os pesquisadores avaliaram dados de 260 mil pessoas e chegaram à conclusão de que beber menos reduz o risco de doenças do coração e pressão arterial elevada. Mesmo quem bebe pouco pode se beneficiar de uma redução no consumo de álcool. Quem não bebe nada (por uma espécie de intolerância genética ao álcool) apresentou uma redução de 10% no risco de problemas cardíacos.

Via Época

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