Pressão para engravidar na adolescência é abuso, e não é nada incomum

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Você já ouviu falar em coerção reprodutiva? Trata-se de uma forma de abuso em que um indivíduo controla a saúde reprodutiva de outro contra a sua vontade. Em português claro, acontece quando um parceiro íntimo pressiona a pessoa a ter relações desprotegidas ou ameaça ir embora caso a mulher não largue o anticoncepcional, por exemplo, levando à gravidez indesejada.

A situação descrita acima é bastante comum, e se engana quem pensa que essas coisas acontecem só no Brasil. Um estudo publicado esta semana por pesquisadores da Universidade do Estado do Michigan, nos EUA, revela que uma em cada oito garotas de 14 a 19 anos de idade foram submetidas a alguma forma de coerção reprodutiva nos três meses anteriores às entrevistas. Os dados estão no periódico Obstetrics & Gynecology deste mês.

A pesquisa inclui informações de 550 adolescentes de oito diferentes centros de saúde ligados a escolas públicas da Califórnia. Os autores enfatizam que, até hoje, a maioria dos estudos sobre coerção reprodutiva envolviam mulheres adultas, daí a importância desse novo trabalho. Os pesquisadores observam que os relacionamentos românticos, na adolescência, têm características específicas, e isso precisa ser levado em conta quando um jovem é atendido por assistentes sociais ou profissionais de saúde.

Fazer testes de gravidez ou buscar a pílula do dia seguinte com frequência podem ser alguns sinais de alerta para casos de coerção reprodutiva, mas o trabalho não encontrou diferenças significativas no comportamento de jovens que sofrem esse tipo de abuso. Os pesquisadores também não encontraram diferenças significativas de prevalência entre brancas e negras. Assim, a única maneira de identificar o problema é por meio de conversas sobre os relacionamentos.

O estudo também traz outros dados preocupantes, como o fato de que 17% das adolescentes participantes relataram ter sofrido abuso físico ou sexual. Jovens que enfrentam coerção reprodutiva são quatro vezes mais propensas a enfrentar essas outras formas de abuso, de acordo com a análise. O trabalho ainda identificou que as jovens submetidas a abusos no relacionamento, incluindo o controle da saúde reprodutiva, tendem a ter parceiros sexuais no mínimo cinco anos mais velhos que elas.

Todas essas informações podem ajudar não apenas os profissionais de saúde ou assistentes sociais, mas, principalmente, pais e mães de adolescentes. Afinal de contas, garotos e garotas devem receber orientações em casa sobre o que é um relacionamento saudável e o que não é, ainda que muitas mães também sejam vítimas de abuso.