Por aulas de educação física mais inclusivas e variadas

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Você pode ter passado pela situação ou se lembra de alguém que nunca era escolhido para entrar no time da escola, ou era ignorado em campo por jogar mal ou correr pouco. Pois saiba que esse tipo de experiência, que infelizmente não é nada incomum, pode ter um impacto profundo na saúde física e mental de uma pessoa.

O alerta é de pesquisadores da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Eles descobriram uma forte conexão entre vivências negativas de crianças e adolescentes nas aulas de educação física e a tendência ao sedentarismo na idade adulta.

A equipe analisou entrevistas com mais de 1.000 adultos de diferentes partes do país e descobriu que aqueles que mais vivenciaram situações de humilhação nas atividades físicas da escola eram os que passam mais tempo sentados durante a semana e os períodos de lazer.

Cerca de 34% dos participantes relataram ter sentido vergonha de experiências vividas nas aulas de educação física. O constrangimento por não ter um corpo atlético ou o bullying sofrido pelo mau desempenho foram lembranças bastante relatadas pelos entrevistados. Alguns até se lembravam do alívio que sentiram ao se livrar de uma vez por todas das aulas de educação física – uma das frases até virou título do estudo, publicado no periódico Translational Journal of the American College of Sports Medicine.

O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para males crônicos como obesidade, doenças do coração e até câncer. Sabe-se também que a atividade física atua como preventivo e até remédio contra transtornos como ansiedade, depressão e abuso de substâncias.

Se a tendência a rejeitar exercícios pode nascer em experiências negativas na escola, mudar esse cenário poderia evitar uma série de problemas para as pessoas, sem contar o impacto que isso traria para a sociedade como um todo.

Para os autores, as aulas de educação física deveriam dar mais ênfase para o trabalho em equipe e menos para o desempenho individual. Assim como algumas crianças não gostam de matemática porque têm dificuldade, há quem não se dê bem com atividades esportivas porque não têm oportunidades suficientes para se aperfeiçoar.

Muita coisa já mudou, mas talvez dê para se pensar em outras maneiras de incentivar os mais tímidos ou menos habilidosos a explorarem melhor seu potencial. Seria interessante que alunos que não gostam de jogos com bola tivessem outras opções, como dança, ioga, artes marciais. Ou que pelo menos as atividades fossem intercaladas.

Cada vez mais estudos mostram que se mexer traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental das pessoas, além de melhorar o desempenho acadêmico. Quando isso acontece ao ar livre, as vantagens são maiores ainda. Bons hábitos costumam nascer na infância e na adolescência, por isso esse é o tipo de investimento que traz retorno garantido no futuro.