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Uso de redes sociais leva a consumo maior de produtos nocivos

Engajamento com conteúdo relacionado à beleza levou adolescentes a consumirem mais produtos - iStock
Engajamento com conteúdo relacionado à beleza levou adolescentes a consumirem mais produtos - iStock

Redação Publicado em 18/08/2026, às 10h00

Produtos de cuidados pessoais estão entre as maiores fontes cotidianas de exposição a produtos químicos que perturbam o sistema endócrino, e estudantes do ensino médio que seguem influenciadores nas redes sociais ou assistem a tutoriais de beleza parecem usar consideravelmente mais desses produtos, de acordo com pesquisadores.

Em um estudo liderado pela Universidade Rutgers, nos EUA, e publicado no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology, pesquisadores conduziram um levantamento sobre o uso de produtos entre 143 estudantes da Princeton High School, em Nova Jersey.

Mais redes sociais, mais produtos de beleza

Eles descobriram que mais tempo nas redes sociais e maior engajamento com conteúdo relacionado à beleza significavam maior uso de produtos. Depois que os pesquisadores levaram em conta gênero, série escolar, raça, etnia e escolaridade dos pais, descobriram que os estudantes que seguiam influenciadores com linhas de produtos relataram usar 30% mais produtos nas 24 horas anteriores. Aqueles que assistiam a tutoriais de cabelo ou beleza usavam 40% mais.

Foi uma descoberta inédita, que os pesquisadores da equipe do estudo atribuíram a duas então estudantes do ensino médio, Gabrielle Kaputa e Vita Moss-Wang, que ajudaram a planejar e conduzir o levantamento e sugeriram incluir perguntas sobre o uso de redes sociais.

"As redes sociais acabaram sendo a parte mais interessante dos nossos resultados", disse Emily Barrett, vice-diretora do Departamento de Bioestatística e Epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Rutgers e autora principal do estudo.

"Frequentemente ouvimos que as redes sociais podem prejudicar a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional das crianças", acrescentou.

Este estudo sugere outro motivo de preocupação: o potencial das redes sociais de aumentar o uso de produtos de cuidados pessoais que muitas vezes incluem substâncias químicas que perturbam os hormônios e são potencialmente cancerígenas."

Adolescentes são mais vulneráveis

Barrett e seus colegas, que já conduziram diversos estudos sobre o uso de produtos por adultos, veem grande necessidade de mais informações sobre os padrões de uso entre estudantes.

"Os adolescentes são uma população particularmente interessante de se estudar porque estão passando por mudanças rápidas, inclusive em seus sistemas hormonais", disse Barrett. "Pode ser um período sensível no qual escolhas melhores de produtos poderiam reduzir a exposição química."

Ftalados, parabenos, fenóis e outras substâncias

Esses produtos incluem sabonete, pasta de dente, xampu, desodorante, protetor solar, produtos para cuidados com a pele, perfume e maquiagem. Alguns contêm ftalatos, parabenos, fenóis ou outras substâncias químicas que podem afetar a sinalização hormonal e o risco de câncer. Pesquisas anteriores constataram que pessoas que usam mais produtos tendem a apresentar níveis mais altos de algumas dessas substâncias químicas em seus organismos.

Neste estudo, as meninas relataram usar uma mediana de 14 produtos no dia anterior, o dobro dos meninos. Além de relatos quase universais do uso de sabonetes e pasta de dente no dia anterior, 57% relataram o uso de perfumes, que frequentemente contêm ftalatosque perturbam o sistema endócrino sem informá-los nos rótulos. No geral, o uso de produtos entre os estudantes foi comparável aos níveis relatados em estudos com adultos.

Poucos leem os rótulos

Os estudantes manifestaram alguma preocupação com a possível exposição química, mas poucos tomaram as medidas necessárias para minimizá-la. Apenas 19% leem regularmente as listas de ingredientes, e 5% usam regularmente um aplicativo ou site destinado a identificar produtos mais saudáveis.

Os pesquisadores agora estão realizando pesquisas de acompanhamento com grupos focais para saber quais contas, mensagens e influenciadores moldam as escolhas dos adolescentes.

Estudos maiores, abrangendo comunidades mais diversas, poderiam testar se o padrão se confirma e poderiam combinar inventários de produtos com amostras de urina que medem a exposição química. Os pesquisadores também querem saber se vozes confiáveis on-line podem direcionar os adolescentes para escolhas mais seguras.