
Redação Publicado em 22/09/2026, às 10h00
Dividir os fones de ouvido com o parceiro pode ser mais importante para o romance do que se imaginava. Um novo estudo publicado na revista científica Social Psychological and Personality Science revela que casais têm gostos musicais muito mais parecidos do que traços de personalidade ou valores pessoais. Além disso, essa sintonia na hora de dar o play está diretamente ligada a uma relação mais afetuosa.
Na psicologia, a música não é vista apenas como entretenimento, mas como um espelho da nossa identidade e das nossas emoções. Por isso, as pessoas costumam usar o gosto musical como um "atalho social" para expressar quem são e avaliar potenciais parceiros logo nos primeiros encontros.
Para entender o peso disso no dia a dia dos relacionamentos, os pesquisadores Julia Vigl e Marcel Zentner, da Universidade de Innsbruck, na Áustria, analisaram 309 casais. Segundo Zentner, a motivação para o projeto surgiu porque a ciência já estuda muito a semelhança de personalidade entre parceiros, mas ignora as preferências estéticas, mesmo a música sendo uma das formas mais poderosas de conexão humana.
Os participantes responderam a questionários detalhados sobre seus artistas favoritos, estilos musicais, traços de personalidade e nível de felicidade no namoro ou casamento. Para garantir que a semelhança entre os casais não era apenas uma coincidência cultural, os cientistas criaram "pseudocasais" no computador, combinando os participantes de forma totalmente aleatória.
O resultado foi surpreendente e se repetiu em três testes diferentes, envolvendo desde jovens namorados até casais de longa data:
Apesar das descobertas animadoras, os pesquisadores fazem um alerta: ter a mesma playlist não é uma garantia de romance perfeito. De acordo com Zentner, embora a semelhança musical entre os parceiros seja expressiva, o impacto direto disso na felicidade do casal é positivo, mas moderado. Ou seja, a música ajuda a aproximar e criar cumplicidade, mas não dita sozinha o sucesso ou o fracasso de uma vida a dois.
Os autores também ponderam que, por se tratar de um estudo baseado em questionários, ainda não é possível afirmar se as pessoas já escolhem parceiros com o mesmo gosto ou se o casal acaba influenciando o ouvido um do outro com o passar dos anos.