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Qual é o verdadeiro segredo da felicidade? Psicólogos respondem

Se você não se sente amado, talvez esteja procurando no lugar errado - iStock
Se você não se sente amado, talvez esteja procurando no lugar errado - iStock

Redação Publicado em 17/02/2026, às 10h00

Durante anos, a psicóloga e professora da Universidade da Califórnia, nos EUA, Sonja Lyubomirsky estudou felicidade. Mesmo assim, quando perguntaram a ela ao vivo na TV qual era o segredo para ser feliz, veio o desconforto. A pergunta parecia simples demais para algo tão complexo.

A resposta só começou a fazer sentido quando ela conversou com outro psicólogo, Harry Reis, professor da Universidade de Rochester, e especialista em relacionamentos. Ele resumiu décadas de pesquisa em uma frase direta: pessoas felizes se sentem amadas.

Essa única frase se tornou o ponto de partida para o livro How to Feel Loved: The Five Mindsets That Get You More of What Matters Most(Harper, 2026), que reúne décadas de pesquisas sobre felicidade e conexão humana. A tese do livro é ao mesmo tempo reconfortante e provocadora: se você não se sente amado, talvez esteja procurando no lugar errado.

Não é só ser amado, mas sentir que é

Segundo Reis, muita gente é amada, mas não percebe isso. O problema não está na falta de amor ao redor, mas na forma como tentamos buscar esse sentimento.

É comum achar que, para se sentir amado, é preciso ser mais bonito, mais interessante ou mais bem-sucedido. Isso até pode funcionar por um tempo, mas costuma afastar as pessoas no longo prazo.

O que realmente gera o sentimento de ser amado é algo mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: criar conexão de verdade.

A gangorra dos relacionamentos

Os autores usam uma metáfora fácil de entender. Imagine uma gangorra em que parte de você está submersa, escondida. Quando você levanta o outro, mostrando atenção e cuidado, essa pessoa também se sente vista e tende a fazer o mesmo por você.

Ou seja, o sentimento de amor cresce quando existe troca.

Não é fórmula mágica, é postura

O livro fala em cinco “mentalidades”, que são formas de agir no dia a dia. Não é um passo a passo engessado. Entre elas estão:

  • Compartilhar quem você é, com sinceridade, sem exagerar.
  • Ouvir para entender, não só para responder.
  • Ter curiosidade real pelo outro.
  • Agir com empatia e coração aberto.
  • Aceitar que ninguém é perfeito o tempo todo.

Telas atrapalham as conexões

Outro ponto importante é a atenção. Estudos mostram que até um celular em cima da mesa, mesmo sem uso, já atrapalha a conversa. Um simples olhar para a tela pode passar a mensagem de desinteresse.

No mundo digital, isso fica ainda mais evidente. Quem nunca percebeu quando a outra pessoa está fazendo mil coisas durante uma chamada de vídeo?

Conexão demanda presença total.

Chatbots substituem o amor?

Com a popularização da inteligência artificial, muita gente tem recorrido a chatbots para conversar e se sentir acolhida. Eles sabem responder com empatia, mas não amam de verdade.

Segundo Reis, é como matar a fome com chocolate. Alivia na hora, mas não nutre. Relações reais têm atritos, discordâncias e exigem esforço. E é justamente isso que faz o amor crescer.

No fim das contas, tudo é escolha

O que torna o amor humano tão poderoso é saber que alguém escolhe estar com você. Escolhe ouvir, cuidar e se envolver.

E quando as pessoas se sentem amadas, os efeitos são claros: mais felicidade, mais saúde, mais produtividade e mais sucesso na vida.