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Por que menores de idade não devem beber?

Se o álcool entra na vida do jovem muito cedo, pode interferir em circuitos cerebrais
Se o álcool entra na vida do jovem muito cedo, pode interferir em circuitos cerebrais - iStock

Jairo Bouer Publicado em 07/03/2021, às 10h00

A ideia por trás da proibição do consumo de álcool por menores está em proteger os jovens dos efeitos nocivos da bebida em um período da vida em que estão mais vulneráveis tanto do ponto de vista biológico como emocional.

Explico melhor: a adolescência é uma fase da vida de muitas transformações físicas e mentais. O cérebro amadurece e há intensas mudanças na organização dos neurônios. Conexões estão sendo feitas e refeitas o tempo todo em diversas áreas relacionadas às emoções e ao comportamento.

Se o álcool entra na vida do jovem nesse momento, ele pode interferir em alguns circuitos como, por exemplo, no mecanismo que controla prazer e recompensa. Assim, se ele bebe e essa é uma experiência prazerosa ou que alivia alguma emoção negativa, corre-se o risco de essa associação ficar “gravada”. No futuro, quando ele quiser aliviar algum desconforto emocional ou estiver buscando alguma forma de satisfação, ele pode buscar no álcool esse “atalho”.

Não é à toa que jovens que começam a beber mais cedo podem ter um risco maior de desenvolver padrões mais complicados de consumo de álcool, como o abuso ou até mesmo a dependência.

Do ponto de vista emocional, essa é uma fase da vida em que o jovem, em função das mudanças corporais e comportamentais rápidas, pode enfrentar questões de autoestima, insegurança, medo, ansiedade, necessidade de ser aceito pelo grupo, e encontro com valores que não somente aqueles aprendidos em casa, ou seja, uma montanha de desafios pela frente. Muitas vezes, ele ainda não tem maturidade nem experiência para lidar com tudo isso e pode sofrer com essas dificuldades.

Se o álcool entra na equação como um elemento de alívio nesse momento de incertezas, existe a possibilidade de o jovem passar a enxergá-lo como um facilitador, ou, ainda, como uma espécie de “passe livre” para um mundo ainda desconhecido, que ele quer conhecer. E aí, o perigo do uso esporádico e recreativo migrar para um padrão de uso frequente ou nocivo tem um risco maior de acontecer.

Como resultado, ele pode passar a consumir álcool, muitas vezes de forma exagerada, sem ter muito controle e enfrentando riscos importantes para sua saúde. Entendeu por que é tão importante tentar proteger o jovem do consumo de bebida antes dos 18?

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