
Redação Publicado em 18/04/2026, às 10h00
Participar de atividades pode fazer você se sentir menos solitário, porque você conhece pessoas e se sente parte de uma comunidade. Mas um estudo mostra que existem outras formas de combater a solidão, que nem sempre dependem da participação dos outros.
Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) descobriram que atividades ao ar livre em ambientes naturais têm um efeito protetor contra a solidão.
O líder do estudo, Sindre Hoff, doutorando em sociologia, decidiu testar a teoria de que estar ativo em ambientes naturais poderia fazer com que as pessoas se sentissem mais conectadas à natureza e apegadas a um lugar.
“Fortalecer o senso de pertencimento, não apenas a outras pessoas, mas aos ambientes naturais e ao entorno, parece ter um efeito protetor contra a solidão”, afirma.
Simplesmente passar tempo ao ar livre não tem, na verdade, um efeito imediato, segundo Hoff. O estudo enfatiza que o efeito depende de as pessoas estarem atentas aos muitos detalhes diferentes ao seu redor. Por exemplo, os sons, a luz, a vista do horizonte ou os padrões nas folhas das árvores. Notar esses detalhes pode ser mais fácil quando se está sozinho.
Em comparação, o estudo mostra que exercitar-se em ambientes naturais, como correr (jogging), não tem necessariamente o mesmo efeito. Isso pode ser explicado pelo fato de que o foco muitas vezes está no desempenho pessoal e não nos arredores.
As descobertas baseiam-se em entrevistas com 2.500 pessoas de um projeto maior da universidade. Um dos objetivos é abrir caminho para a criação de valor, reforçando a importância da paisagem local e da natureza para a saúde e o senso de pertencimento.
“A solidão e a sensação de não pertencer são grandes desafios de saúde pública. Se os ambientes naturais forem destruídos ou se tornarem menos acessíveis, isso pode custar caro para a sociedade”, comenta Hoff.
A solidão é um sinal de falta de pertencimento. Os pesquisadores queriam investigar se estar ao ar livre pode ajudar a suprir essa necessidade.
“Quando você se vê como parte da natureza, cria um senso de pertencimento a uma comunidade. Muitas pessoas argumentaram anteriormente que a solidão se refere apenas ao contato humano e às comunidades humanas, mas, nos últimos anos, vários estudos mostraram que o apego a lugares e ambientes naturais também tem um efeito pronunciado”, diz o pesquisador.
Hoff acredita que existem explicações diretas e indiretas para o motivo pelo qual o sentido de conexão com a natureza pode ajudar a aliviar a solidão:
O estudo investigou atividades ao redor do Lago Mjøsa, na Noruega. Fazer caminhadas e ficar sentado à beira da água foram as atividades mais comuns entre os entrevistados. Mais de 75% visitam o lago várias vezes ao ano, e quase 25% vão lá várias vezes por mês.
Hoff destaca duas coisas para as quais as descobertas podem ser usadas:
“A maioria das pessoas pode assumir a responsabilidade pelo seu próprio bem-estar, pensando 'isso provavelmente é bom para mim'. Mas algumas pessoas podem precisar de um pouco de ajuda para se ajudarem. Além disso, as autoridades municipais devem levar em conta o acesso dos residentes a áreas naturais em seu planejamento”, recomenda Hoff.
Pesquisas anteriores mostram que a conexão com a natureza pode ser fortalecida anotando três coisas boas que você percebeu ao ar livre todos os dias durante um determinado período. Este é um exercício de perceber a natureza na vida cotidiana, e os efeitos demonstraram ser estáveis.
O filósofo norueguês Arne Næss foi um grande defensor da identificação com a natureza. Ele instava as pessoas a distinguirem entre "atividade" e "atitude ativa". Em ambientes naturais, a 'atitude ativa' consiste em absorver o que está ao redor, em vez de apenas se deslocar de um ponto A para um ponto B.
Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado no ano passado pela Agência Brasil indica que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, com impactos significativos na saúde e no bem-estar. A condição está associada a cerca de 100 mortes a cada hora - mais de 871 mil mortes todos os ano.