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Orgasmo pouco antes de treino ou competição altera o desempenho?

Existe a ideia de que a atividade sexual "rouba" a energia ou reduz a agressividade necessária para vencer - iStock
Existe a ideia de que a atividade sexual "rouba" a energia ou reduz a agressividade necessária para vencer - iStock

Redação Publicado em 15/02/2026, às 10h00

Por muito tempo, o mundo dos esportes seguiu uma regra rígida: nada de sexo antes de grandes competições. Treinadores e atletas acreditavam que a atividade sexual "roubava" a energia e diminuía a agressividade necessária para vencer.

No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista científica Physiology & Behavior pode derrubar esse mito, pelo menos em parte.

O estudo, apesar de pequeno, traz uma perspectiva inovadora: ter um orgasmo via masturbação pouco antes da atividade esportiva não só é inofensivo, como pode até dar um "empurrãozinho" na performance.

Da teoria à prática na academia

Pesquisadores da Universidade de Valladolid, na Espanha, decidiram investigar se as restrições de abstinência faziam sentido científico. Para isso, eles recrutaram 21 atletas homens –  incluindo jogadores de basquete e boxeadores – com idade média de 22 anos. O experimento foi feito em duas etapas para garantir que os resultados fossem precisos:

  • Na primeira etapa (controle): os atletas ficaram em abstinência total por sete dias e, antes do teste, assistiram a um documentário neutro.
  • Na segunda etapa (experimental): os voluntários se masturbaram até o orgasmo apenas 30 minutos antes de começar os exercícios.

Surpresa nos resultados

Para medir o desempenho, a equipe usou testes de força de preensão manual e um desafio de ciclismo de alta intensidade, em que a dificuldade aumentava a cada minuto até a exaustão.

Os resultados mostraram que, após a masturbação, o tempo total de resistência no ciclismo aumentou cerca de 3,2%. Além disso, a força muscular manual também foi ligeiramente superior. Isso prova que o sistema neuromuscular continuou funcionando perfeitamente, talvez até mais "ligado" do que o normal.

Por que o corpo reage assim?

Os cientistas acreditam que o segredo está no chamado efeito de "preparação" (ou priming). A excitação sexual ativa o sistema nervoso simpático, responsável por nos deixar em estado de alerta.

A análise de sangue revelou detalhes interessantes:

  • Hormônios em alta: houve um aumento simultâneo de testosterona (ligada à força) e cortisol (que ajuda a mobilizar energia).
  • Menos estresse muscular: os níveis de uma enzima chamada lactato desidrogenase, que indica dano no músculo, foram menores no grupo que praticou a atividade sexual.
  • Coração acelerado: a frequência cardíaca ficou mais alta, mas os atletas não sentiram que o exercício estava mais difícil por causa disso.

Vale para todo mundo?

Apesar das boas notícias, o estudo tem algumas notas de rodapé importantes. Como os testes foram feitos apenas com homens jovens e bem treinados, ainda não se sabe se o efeito é o mesmo para mulheres, idosos ou pessoas sedentárias.

Outro ponto é que o estudo focou na masturbação. O sexo com parceria envolve um gasto de energia maior e a liberação de outras substâncias, como a ocitocina, que pode causar um relaxamento mais profundo em algumas pessoas. Um estudo feito com homens e publicado em 2022, por sinal, indicou que uma relação sexual 24 horas antes do exercício pode reduzir a força dos membros inferiores. 

De qualquer forma, aquela velha história de que o orgasmo pode tirar a energia da pessoa pode ser apenas um mito. Na verdade, para muitos, pode ser o "aquecimento" que faltava, contanto que ninguém abuse demais do esforço físico para obter prazer.