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Usuário frequente de maconha pode ser mais propenso a ter falsa memória

Jairo Bouer

14 de outubro


Usuários crônicos de maconha podem ser mais propensos a ter falsas memórias, indica um estudo realizado pelo Hospital de Sant Pau e da Universitat Autònoma de Barcelona, na Espanha.

Os pesquisadores avaliaram 16 consumidores pesados, ou seja, que usaram maconha diariamente pelo menos nos últimos dois anos, mas abandonaram o hábito quatro semanas antes da avaliação. Nenhum deles tinha qualquer diagnóstico psiquiátrico ou neurológico. O grupo foi comparado a outro, de 14 pessoas que nunca usaram a droga, ou que a usaram poucas vezes ao longo da vida.

Todos os participantes foram testados para outras substâncias capazes de interferir na memória, como benzodiazepínicos e opioides, nas quatro semanas anteriores ao experimento. Mas alguns deles, tanto no grupo de usuários de maconha como no grupo-controle, usavam tabaco.

No trabalho, publicado no periódico Molecular Psychiatry, os participantes passaram por testes de memorização de palavras. Eles olhavam uma lista e, alguns minutos depois, recebiam outra, com algumas palavras a mais, que tinham, ou não, significado semelhante. Os usuários pesados de maconha foram mais propensos a “lembrar” de termos que não estavam na primeira seleção, mesmo sem ter usado a droga durante um mês.

Além disso, todos os voluntários passaram por exames de ressonância magnética cerebral. E os resultados indicaram que os usuários pesados apresentaram menor ativação de áreas ligadas a memória e controle dos recursos cognitivos, além de alterações no hipocampo, associada à memória de longo prazo.

Mais estudos são necessários para confirmar se o problema tem mesmo relação com o uso crônico e excessivo da droga, ou se teria a ver com alguma vulnerabilidade pré-existente. Mas os resultados reforçam estudos anteriores que demonstram haver impacto na memória com o consumo frequente da droga.

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