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Pesquisa associa uso excessivo de mídia social e transtorno alimentar

Jairo Bouer

14 de outubro


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Um estudo mostra que jovens que passam o dia todo nas mídias sociais têm um risco 2,6 vezes maior de relatar transtornos alimentares e preocupação excessiva com a imagem corporal em comparação com quem passa pouco tempo nesse tipo de site.

O trabalho contou com 1.765 norte-americanos de 19 a 32 anos, que responderam a questões sobre frequência de uso de plataformas como Facebook, YouTube, Twitter, Instagram, Snapchat e Pinterest, entre outros. Fatores como sexo, idade específica, gênero e renda não influenciaram a associação, ou seja, todos os grupos foram igualmente afetados.

A pesquisa, publicada no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, foi financiada pelo Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos.

A equipe do Centro Pitt para Pesquisas em Mídia, Tecnologia e Saúde, que conduziu o trabalho, explica que a relação entre transtornos alimentares e a mídia tradicional, como revistas e televisão, já é conhecida há muito tempo. Já as redes sociais, além de replicar o conteúdo de outras mídias, ainda permitem a interação dos usuários, o que reúne interesses em comum e ajuda a propagar estereótipos que interferem na autoimagem.

Transtornos alimentares como anorexia nervosa, bulimia, comer compulsivo e vigorexia (a obsessão por músculos) afetam desproporcionalmente adolescentes e jovens adultos, o público mais ativo nas redes sociais. Os autores esclarecem, no entanto, que não dá para saber se o uso exagerado das plataformas é causa ou consequência da preocupação excessiva com o corpo. Pode ser, ainda, que seja as duas coisas.

Pesquisas anteriores já mostraram que as pessoas tendem a postar apenas imagens em que aparecem mais magras, o que ajuda a alimentar uma expectativa irreal dos outros em relação à aparência.

Os autores observam que, apesar de certas iniciativas positivas dos provedores de serviços, como o fato de o Instagram ter proibido a hashtag “Thinspiration” (mistura das palavras “inspiração” e “magra”), usuários criam estratégias para continuar com o conceito, como modificar a grafia. Os vídeos no YouTube classificados como “pró-anorexia” também continuam gerando mais audiência do que o material que se destina a alertar sobre os riscos desse transtorno, que em alguns casos pode matar.

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