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Pesquisa associa inflamação a risco mais alto de suicídio

Jairo Bouer

14 de outubro


Uma análise de estudos científicos que acaba de ser publicada aponta para um possível marcador biológico para o suicídio. Segundo os trabalhos, indivíduos que planejam se matar apresentam níveis mais altos de citocinas, substâncias químicas que promovem a inflamação. Os níveis são mais altos até mesmo daqueles encontrados em pacientes tratados para os mesmos transtornos psiquiátricos, mas que não pensam em se suicidar.

O suicídio é um problema grave de saúde pública. Só nos Estados Unidos, uma pessoa acaba com a própria vida a cada 12,8 minutos, de acordo com a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio. Por isso, quanto mais pesquisas houver nessa área, maiores as chances de se evitar essa tragédia, que tem enorme impacto para as famílias.

As citocinas estão envolvidas em doenças como atrite (nas articulações), no coração (aterosclerose) e nos pulmões (asma). Estudos têm sugerido que essas substâncias podem ser liberadas em condições de estresse psicológico e que a inflamação no cérebro contribui para a depressão.

Para realizar o trabalho, os médicos Carmen Black e Brian Miller, da Universidade Georgia Regents, nos Estados Unidos, reuniram dados de 18 estudos publicados, envolvendo um total de 583 pacientes psiquiátricos com tendências suicidas, 315 sem pensamentos suicidas e 845 indivíduos saudáveis. A análise mostrou que o primeiro grupo apresentava níveis significativamente maiores de citocinas no sangue e no cérebro.

Para os autores, os resultados reforçam uma evidência cada vez mais forte de que uma disfunção no sistema imunológico, o que inclui a inflamação, pode estar envolvida nos transtornos psiquiátricos em certos indivíduos.

O estudo, publicado no periódico Biological Psychiatry, tem limitações, e ainda são necessárias mais pesquisas sobre o tema. Mas os autores acreditam que investigar possíveis marcadores biológicos associados ao suicídio seja uma forma de, no futuro, aumentar as chances de controlar esse risco nos pacientes. E, quem sabe, evitar muito sofrimento.

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